domingo, 8 de maio de 2022

Dois derrotadores contra a ideologia esquerdista


No final de outubro de 2017, eu publiquei um artigo onde sugeri que se reconhecesse uma nova falácia ao qual nomeei "falácia da igualdade". Ao final daquela obra, comentei sobre os possíveis impactos do reconhecimento de minha proposta, em especial ao campo da filosofia política numa de suas correntes mais proeminentes, a esquerda.

No presente artigo, eu foco nessas implicações propondo dois argumentos contra a ideologia igualitariana baseados na falácia lógica proposta em minha obra anterior. 


Momergil

--------

Introdução
Um dos frutos do intelecto humano tem sido a concepção "pacotes de ideias": conjuntos de uma ou mais proposições alegadamente verdadeiras e de alguma maneira ligadas entre si. Escolas filosóficas, teorias científicas e a parte teológica das religiões são exemplos de algumas categorias ou tipos de pacotes assim. 

Na medida que tais grupos de ideias fazem afirmações descritivas e/ou prescritivas acerca do mundo, uma questão de debate que normalmente os acompanha é se um certo grupo é "verdadeiro" ou "correto". Neste caso, quanto às proposições descritivas, pode-se entender genericamente que um pacote só poderá ser verdadeiro ou correto se e somente se tais proposições corresponderem à realidade como ela é[N1]. Já sobre as afirmações prescritivas, as que dizem como as coisas deveriam ser (objetivos) ou o que deveria ser feito (métodos), genericamente será necessário que seus eventuais pressupostos descritivos sejam equivalentemente correspondentes à realidade, que sejam decentemente aptas a atingirem algum alvo apresentado e que tal seja desejável[N2]. Caso contrário, se uma de suas propostas defender medidas inaceitáveis ou um alvo inaceitável, o pacote também será errado.

Assim, por exemplo, o sistema econômico capitalista capitaneado pelo escocês Adam Smith contrapôs-se ao mercantilismo presente em sua época em ao menos três coisas: descritivamente, que a riqueza de uma nação não é fruto ou igual às posses físicas de terras, ouro e afins que ela detém, mas reside também na capacidade produtiva dos seus cidadãos; e, prescritivamente, que devemos procurar implementar meios de aumentar essa capacidade produtiva, tal como especialização da mão-de-obra, a fim de tornar as sociedades mais prósperas e ricas, o que seria um alvo almejável[N3][R1][R2][R3]. Assim sendo, a avaliação quanto à veracidade do capitalismo passa pela avaliação dessas afirmações: se é verdade que a riqueza de uma nação envolve a capacidade produtiva dos seus cidadãos, que devemos buscar uma sociedade mais próspera e que um meio para esse fim é o aumento da produtividade por meios como especialização de mão-de-obra, então, tem-se que o capitalismo é uma visão correta. Se, por outro lado, a riqueza for medida tão somente em terras ou não devemos buscar maior prosperidade dos povos ou os meios propostos, como especialização de mão-de-obra, são inadequados e doravante não deveriam ser adotados, a visão será dada como falha.

Quando se trata dessa questão de verificar a veracidade de um pacote, se poderia entender que a refutação de qualquer uma de suas afirmações automaticamente implicaria na sua derrota. Isso, todavia, não necessariamente procede uma vez que ideários podem conter asseverações que se distinguem entre si quanto à sua relevância para ele. Algumas propostas menos relevantes podem estar ligadas a vertentes de uma ideia principal ou derivações de teses mais importantes suportadas por argumentos de menor credibilidade. Independente do motivo, isso implica na necessidade de se distinguir entre afirmações "essenciais" e "não-essenciais" a uma tese. Aquelas reconhecidas como essenciais são as que estão de alguma forma atreladas ao pacote que, sem uma delas sequer, ele se desfiguraria e efetivamente passaria a ser outra coisa, outro grupo de ideias. Por consequência, a inveracidade de uma dessas afirmações implica na invalidade do pacote como um todo ainda que outras sejam reconhecidas como corretas. O mesmo não acontece com as propostas secundárias: ainda que possam ser tradicionais, são supérfluas de tal forma que sua demonstrada invalidade não implicará na anulação do pacote como um todo.

Um exemplo desta complexidade se verifica na teologia de religiões como o Cristianismo. Neste caso, tem-se que a teologia cristã é composta de uma série de doutrinas que englobam um conjunto de crenças sobre variados temas tais como Deus, o ser humano e o pecado[R4][R5]. Embora boa parte dos cristãos acredite em alguma variação dessas doutrinas, apenas algumas são essenciais à fé[R6][R7][R8] e não podem estar erradas para que ela seja uma religião verdadeira. Um caso é a doutrina de Deus que afirma existir tal ser supremo fonte da existência do universo[R9]. Se por acaso alguém demonstrasse que tal ser não existe, então o Cristianismo estaria errado numa de suas afirmações essenciais e, por consequência, seria um pacote de ideias errado e uma religião falsa[N4]. Ainda que muitos ensinos de Jesus permanecessem válidos, a fé como tal teria o seu fim; "não há Cristianismo sem Deus". O mesmo não ocorreria com a doutrina da inerrância bíblica que afirma a plena veracidade dos ensinos do livro sagrado desta religião[N5]. Se ao menos um erro qualquer fosse encontrado em tal livro, a doutrina seria refutada, porém dificilmente um cristão julgaria plausível abandonar a sua fé por causa disso precisamente por se tratar de um relativo pormenor teológico. Ou seja, embora tradicionalmente acreditada, a doutrina da inerrância bíblica não é essencial ao Cristianismo[R10].

Assim, se for identificado que um ideário possui uma afirmação não-essencial, refutá-la não implicará na derrota do pacote. Se, porém, uma essencial para ele for achada inaceitável, a crença nele deverá ser suspensa. De fato, pode-se defender que basta ser demonstrado que uma asseveração essencial não é adequadamente suportada (que não há razão conhecida para crer que ela seja verdadeira ou mesmo que não é possível saber se é verdadeira) que qualquer adoção do ideário passará a ser irracional[N6]. Em outras palavras, se um indivíduo não souber de alguma razão plausível para acreditar em uma única proposta essencial a um ideário, então ele não deverá acreditar e defender tal pacote.

Tudo isso dito, a relevância sobre essas deliberações e dos debates relacionados poderia ser questionada. Tal está ligada à importância que se dá para a verdade de afirmações. Uma perspectiva sugere que, longe de triviais, tais questões são importantes para o mundo porque crenças afetam as ações dos que nelas creem trazendo consigo consequências reais para muitos[N7]. Em especial, ideias erradas, uma vez acreditadas, podem conduzir indivíduos a escolhas erradas que, por sua vez, poderão levar a ações inadequadas que poderão trazer grandes males, dores e sofrimentos. De fato, parte dos males que já assolaram a humanidade foram derivados de crenças equivocadas, um exemplo clássico sendo o Holocausto nazista. Assim, na medida que nos for relevante evitar esses males, será relevante que se procure atestar a veracidade de um ideário antes de abraçá-lo. Caso isso já tenha acontecido, então, será plausível abandoná-lo tão logo ele seja invalidado em reflexão posterior.

Com isso em mente, o que segue é uma avaliação da veracidade de um pacote de ideias específico: a filosofia política esquerdista.

O igualitarianismo
Na área da filosofia política, uma visão comumente denominada de "esquerda" prega o igualitarianismo[R11][R12]: a defesa da igualdade ou mais dela em algum aspecto no ambiente político, social e/ou econômico[R13][R14]. Formalizada nos tempos do Iluminismo, ela pode ser afirmada de várias formas tais como de recursos, de bem-estar, entre outros. Independente de qual se defenda, sua justificativa é amparada sobre duas possíveis visões: como um meio e como um fim em si mesmo[R14]. A paridade como um meio caracteriza-se pela tese de que tê-la ou ter mais dela pode não ser bom e desejável por si próprio, porém, é útil na medida que consegue levar a fins proveitosos e desejáveis, ou seja, seria algo que possui valor extrínseco. Essa perspectiva propõe que deveríamos implementar a igualdade ou mais dela como instrumento para conseguirmos um mundo melhor. Já a outra visão defende a existência de valor intrínseco a ela, ou seja, que ela é por si só um bem, um valor, que doravante se auto justifica. Assim, na medida que fizermos do mundo um lugar igualitário ou mais igualitário, só por isso este se tornará melhor.

Assim entendido, a proposta igualitariana do esquerdismo é marcada pelo direcionamento a um nível positivo, superior, a um fim melhor. Tal característica não é gratuita ou única ou tampouco meramente tradicional uma vez que é intrínseca a qualquer visão política composta de um componente prescritivo; toda ideologia política propõe o que propõe visando um mundo melhor (ainda que apenas aos olhos de quem a defende) [R15][N8]. 

Por exemplo, o liberalismo propõe "liberdade, vida e propriedade"[R16] porque, no entendimento dos que o defendem, se tais valores forem presentes e defendidos numa sociedade, se obterá uma melhor para todos viverem. Assim também o conservadorismo defende as tradições[R17] porque seriam boas para a sociedade. Isso permanece presente até em casos evidentemente ruins: alguém que odeia toda a humanidade poderia propor uma ideologia niilista que pregasse o fim da espécie humana a ser alcançado pela prática de genocídios. Por pior que tal visão seja, ainda assim é intrínseca a ela a noção que sua implementação traria um mundo melhor segundo a ótica de seu defensor. 

Portanto, independente do que se defenda, o conteúdo prescritivo de toda visão política é apontado a um estado social qualitativamente positivo seja em termos relativos, absolutos ou ambos[N9]. Assim, a ideologia política esquerdista afirma, em caráter essencial a essa visão, que se deve defender, buscar, implementar igualdade ou mais dela de alguma forma que, assim feito, trará consigo um mundo bom ou melhor. 

Uma ideologia errada
Tendo em vista o que foi dito anteriormente sobre refutação a pacotes de ideias, tem-se que se isso não for verdade (que igualdade ou mais dela implica em estado qualitativamente positivo e/ou superior), então, um componente essencial ao esquerdismo estará errado e, doravante, essa visão política será incorreta. Dizendo de outra forma: o esquerdismo só será correto se e somente se igualdade ou mais dela implicar em estado qualitativamente positivo ou superior.

Aqui essa ideologia enfrenta uma dificuldade uma vez que tal afirmação é demonstravelmente falsa. De fato, vários casos em que igualdade ou mais dela não implica em algo positivo ou melhor podem ser observados.

Por exemplo, suponha-se que há uma sociedade hipotética de 100 pessoas e que há certos direitos humanos básicos que deveriam ser reconhecidos e respeitados. Num primeiro momento, o sistema de justiça local é de tal forma caracterizado que apenas a metade destas pessoas possui seus direitos respeitados enquanto os dos demais são sistematicamente violados. Supõe-se, então, que reformas são feitas e agora todos os integrantes passam a ter seus direitos violados. Nesta segunda situação, tem-se uma sociedade igualitariana onde todos possuem paridade de direitos. Todavia, na medida em que ter direitos humanos respeitados é algo desejável, essa nova situação igualitariana não só é péssima, como é pior do que a situação desigual original; a sociedade piorou com o aumento da igualdade.

Outro exemplo: suponha-se que uma outra sociedade hipotética com 100 membros esteja com problemas de acesso a saneamento básico, este estando disponível a apenas 30% da população. Neste caso, tem-se uma desigualdade no acesso a essa estrutura desejável. Então uma guerra acontece e todo o sistema de saneamento é destruído por bombardeios. O resultado é que agora todos os cidadãos não possuem sistema de esgoto funcional ou água potável em suas residências. Ao contrário do estado inicial anterior à guerra, este segundo é igualitário e, todavia, tanto é certamente ruim quanto é evidentemente pior do que o anterior uma vez que possui ainda menos saneamento do que tinha antes. 

Casos hipotéticos como os acima revelam que é falso afirmar que igualdade ou mais dela implica em bom ou melhor ao exporem que ela também se faz presente em situações ruins ou piores. Dizendo de outra forma, a igualdade não é correlacionada à qualidade[N10]. Isso pode ser visualizado como consta na figura 1 abaixo. No gráfico à esquerda, tem-se a tese igualitariana: quanto maior o seu valor, maior a qualidade. Já o gráfico à direita expressa o que exemplos como os anteriores demonstram ser o caso: que esse vínculo não se verifica na medida que o aumento da paridade pode equivalentemente levar tanto à maior quanto à menor qualidade.

Figura 1 - Comparativo entre a proposta igualitariana e a realidade

Tendo em vista o que foi abordado na introdução desse artigo, o fato de que igualdade ou mais dela não implica em bom ou melhor implica na inveracidade de uma tese essencial da esquerda e, doravante, à sua falha como uma proposta política. 

Uma ideologia ilógica
Apesar do que já foi dito ser um problema suficiente para aceitabilidade da esquerda como uma visão política correta, pode-se argumentar que sua falha vai além. Isso se dá porque a tese anteriormente analisada e essencial à essa visão não expressa apenas uma afirmação equivocada (tal qual "1 + 1 = 3" ou "a Terra é plana"), mas também é um caso da falácia igualitariana, um erro de raciocínio[R18][N11]. E essa constatação fundamenta uma segunda motivação para a rejeição ao esquerdismo.

Um argumento usado como suporte racional à crença em alguma proposição será ruim, incapaz de cumprir seu objetivo, se for estruturalmente deficiente ao possuir premissas incapazes de suportar logicamente a conclusão[N12]. Quando esse é o caso, entende-se que ele não deveria ser crido ou defendido, i.e., ele é racionalmente inaceitável[R20][N13].

Assim por exemplo, um motivo para o silogismo "todos os homens são mortais, Jesus é homem e, portanto, Jesus é mortal" ser aceitável é sua estrutura ser logicamente coerente. Em contrapartida, o argumento "todos os homens são mortais, Jesus é homem e, portanto, Jesus nunca existiu" não é racionalmente crível porque sua estrutura é logicamente falha.

Embora argumentos costumem ser apresentados de forma isolada ou ao lado de outros em um caso cumulativo em defesa de uma crença, eles podem vir a ser expressos como uma tese supostamente correta em uma obra maior. Nos casos em que aquela tese for essencial a essa obra, então a aceitabilidade racional da mesma estará vinculada a do argumento: na medida que afirmar a obra implicará em afirmar o argumento nela contida, ou seja, não há como afirmar a obra sem afirmar o argumento, então se este for racionalmente inaceitável, assim também será a obra que o afirma.

Por exemplo, supõe-se uma empresa de produtos naturais que deseja persuadir potenciais clientes a consumi-los. Ela, então, lança um comercial afirmando que estes deveriam adquiri-los "porque são naturais e, por isso, são bons". O problema é que tal argumento está a afirmar a falácia de apelo à natureza[R19], tornando a propaganda racionalmente ruim por erro de estrutura. Neste caso, o que se está a propor é apenas uma entre outras possíveis justificativas em prol da conclusão visada (a de que os clientes deveriam comprar os produtos desta empresa) e, portanto, ainda que essa motivação específica deveria ser rejeitada, sua inadequação não invalida a conclusão defendida; pode ser bom consumir esses produtos por outras razões. Algo diferente ocorre quando essa empresa opta por outra estratégia de marketing envolvendo a criação de uma nova ideologia que prega que "as pessoas deveriam ser boas umas com as outras, amarem seus familiares e consumir produtos naturais porque eles são bons por serem naturais". Neste caso, não se trata de apenas um argumento entre outros onde sua invalidade não afeta a veracidade da conclusão pretendida, mas uma tese essencial a essa ideologia hipotética e que afirma um raciocínio logicamente deficiente. Por consequência, na medida que não há como desassociar esse pacote de ideias dessa falácia, então ele será racionalmente inaceitável por sua causa e seja quem for rejeitar aquela deverá também rejeitar esse ideário que o afirma. 

Assim, um pacote de ideias poderá ser racionalmente crível se e somente se suas ideias forem logicamente coerentes. Todavia, esse não é o caso do esquerdismo que assevera uma falácia lógica em seu âmago, a da igualdade. Consequentemente, essa ideologia não parece ser racionalmente aceitável e deveria ser rejeitada na mesma medida em que argumentos falaciosos devem ser. Essa conclusão implica que, diferente do que parece ser o caso de muitos ideários, o esquerdismo vai além do simples erro factual (o de expressar afirmações incondizentes com a realidade): ele também é logicamente deficiente[N14].

Conclusão
Neste artigo, a visão política esquerdista foi reconhecida como um ideário que defende, em caráter essencial a ele, que um mundo igualitário ou mais igualitário seria um mundo melhor a um desigual e que, doravante, devemos buscar uma maior paridade em nosso planeta. Também se defendeu que tal afirmação não é apenas demonstravelmente falsa, como também é uma falácia lógica, o que produziu dois derrotadores para aquela visão[R21]. Na medida da veracidade dessas observações, pode-se concluir que o igualitarianismo que visa um mundo melhor é uma visão inadequada e crer na ideologia política que o expressa consiste numa crença contrária ao exercício adequado da razão: quem o fizer estará errando intelectualmente tanto quanto qualquer indivíduo que acredita em quaisquer teses factualmente equivocadas ou logicamente deficientes - com o agravo que, neste caso, estará errando de ambas as formas. 

Se tais ponderações estiverem corretas, a adequada reação pública a tais deliberações será a mesma que é devida a qualquer pacote de ideias demonstrado inadequado: o seu abandono. Assim como um cristão deveria abandonar a sua fé uma vez exposto a uma refutação da inexistência de Deus[N15], assim também esquerdistas deveriam abandonar o seu posicionamento político em face das constatações deste artigo. Isso dito, assim como um cristão não precisaria automaticamente rejeitar todos os ensinos de Jesus ao ver sua fé invalidada pelo ateísmo, assim também o abandono do igualitarianismo não justifica automaticamente rejeitar todas as demais causas pelas quais esquerdistas têm defendido[N16] (luta contra o racismo, pela preservação do meio-ambiente, etc.).

Comentários
Criticar o esquerdismo por via do seu pensamento igualitariano não é uma novidade, tendo isso sido o assunto de diversas obras nos últimos séculos. Todavia, aparentemente a maioria destas respostas tem focado em questões de valor seja dizendo que a igualdade é irrelevante (como quando alguns afirmam que "a desigualdade econômica não importa, apenas a pobreza"[R22]) ou que é menos importante que outras coisas (como liberdade[R23]). Já os dois derrotadores apresentados neste artigo apoiam uma outra perspectiva segundo a qual os erros da ideologia é o de estar factualmente equivocada e o de ser logicamente deficiente.

Assim como acontece com os pacotes de ideias, as teses aqui propostas também podem ser incorretas. Isso traz à vista a questão sobre como esta crítica poderia ser derrotada. Normalmente entende-se que um argumento pode ser vencido apontando-se alguma falha na sua estrutura, invalidando a aceitação em uma ou mais de suas premissas ou dando um contraponto mais forte para a conclusão oposta em caso de teses probabilísticas[R20]. Com isso em mente, a seção a seguir contém algumas críticas previsíveis precedidas por uma análise de como se localizam em relação aos argumentos apresentados.

Análise de possíveis críticas
O primeiro argumento visa demonstrar que a visão esquerdista é equivocada por asseverar essencialmente uma afirmação inverídica e pode ser resumido da seguinte maneira[N17]:

A1.1: Se o esquerdismo afirma essencialmente uma ideia incorreta/falsa, então o esquerdismo é falso/incorreto.
A1.2: O esquerdismo afirma essencialmente uma ideia incorreta/falsa (a de que igualdade ou mais dela implica em estado qualitativamente positivo ou superior).
A1.3: Logo o esquerdismo é falso/incorreto.

Quanto à sua estrutura, o raciocínio acima é um caso do clássico modus ponens e, portanto, é logicamente válido e sua conclusão necessariamente será verdadeira se as premissas forem verdadeiras[R24]. Assim, possíveis erros só poderão ser encontrados na aceitabilidade destas. No caso da premissa A1.1, o que ela diz é uma tese pressuposta em muitas das obras que avaliam e criticam as mais variadas teorias, correntes filosóficas e doutrinas afins sendo, portanto, relativamente incontroversa. Então é provável que a maioria das críticas acabem sendo centradas na segunda premissa.

Já o segundo argumento defende que essa ideologia é racionalmente inaceitável na medida que ela expressa essencialmente um erro lógico de raciocínio e pode ser resumido da seguinte forma[N18]:

A2.1: Se o esquerdismo afirma essencialmente um raciocínio inválido, então ele é racionalmente inaceitável.
A2.2: O esquerdismo afirma essencialmente um raciocínio inválido (uma falácia lógica, a da igualdade).
A2.3: Logo, o esquerdismo é racionalmente inaceitável.

Novamente a estrutura do derrotador é um modus ponens e doravante logicamente válida. Também a sua primeira premissa A2.1 aparenta ser relativamente incontroversa sendo defendida sempre que se rejeita uma tese que essencialmente afirme algo que seja sabidamente falso. Então assim como no caso do primeiro derrotador, as críticas possíveis tenderão a focar na segunda premissa.

Críticas antecipadas

Ausência de essencialismo
Uma crítica possível a ambas as segundas premissas consiste na rejeição do caráter de essencial da afirmação da falácia da igualdade. Segundo essa perspectiva, a justificativa de um alvo positivo para a defesa da paridade seria apenas uma característica tradicional e não uma essencial para a esquerda. Em outras palavras, embora a maioria dos esquerdistas defendam a igualdade porque julgam que ela implementada levará a um mundo melhor, a visão per se não afirma essa justificativa. Consequentemente, quem apresenta essa objeção rejeita a observação de que ideologias políticas são voltadas essencialmente à busca de um mundo melhor.

Em resposta, tal proposta não parece ter amparo algum em evidência. Afinal, incontáveis expressões políticas demonstram que todo esquerdista, direitista, liberal ou afins defende o que defende visando um mundo melhor segundo a sua ótica de "melhor". Na medida que isso é verdade, parece implausível dizer que ainda assim se trata de uma mera tradição e não uma característica básica das ideologias políticas. 

Todavia, mesmo que tal resposta fosse verdadeira, ela teria pouca utilidade em refutar a aplicabilidade prática dos derrotadores apresentados deste artigo. Isso ocorre porque a caracterização da afirmação da falácia da igualdade como intrínseca à ideologia esquerdista não é necessária para a aplicabilidade dessa crítica na população que a expressa: na medida que um defensor dessa visão asseverar em seu intelecto que almeja e a razão porque almeja igualdade ou mais dela é porque assim se terá um mundo bom ou melhor, então ambos os derrotadores aqui apresentados se aplicarão a ele em seu esquerdismo. Uma vez que os únicos ditos esquerdistas intocáveis por essa obra seriam aqueles que defendem paridade por qualquer outra motivação e que tais não existem ou são praticamente inexistentes, então os derrotadores ainda se mostrariam válidos "para todos os fins práticos": a maioria, senão a totalidade, dos esquerdistas no mundo ainda deveriam deixar de sê-lo[N19].

Igualdade pontual
Outra possível objeção defende que a afirmação da presença da falácia da igualdade não consiste numa descrição correta da proposta igualitária e, por isso, ambos os derrotadores fazem um ataque a espantalho[N20]. Segundo essa resposta, alegar que "o esquerdismo defende a paridade" seria uma simplificação generalista que não considera os detalhes dessa ideologia e suas vertentes.

A resposta diz que as diversas correntes esquerdistas não defendem simplesmente um mundo mais igualitário, mas especificam em que áreas e de que maneiras essa paridade deveria se caracterizar e ser implementada. Ou seja, elas não estão a defender toda e qualquer forma de igualdade ou ela por si mesma. Por consequência, um esquerdista pode se ver concordando que nem toda igualdade implica num mundo melhor ao mesmo tempo em que acredita que aquelas específicas que ele propõe trariam esse resultado. 

Por exemplo, um esquerdista poderia defender que devemos ter igualdade de direitos civis entre homens e mulheres e entre brancos e negros porque o mundo será melhor se for assim. Ao mesmo tempo, essa mesma pessoa poderia rejeitar semelhante paridade de direitos entre crianças e adultos reconhecendo que, neste caso, é melhor haver alguma desigualdade nas leis aplicáveis aos dois grupos. Fazendo assim, esse indivíduo estaria defendendo uma certa igualdade específica (de direitos) para um ou mais casos específicos (sexo/gênero e etnia/raça) sem que, automaticamente, estivesse se comprometendo com qualquer outra forma de paridade (como econômica) ou em qualquer situação (idade). 

Com respeito a essa crítica, seu primeiro defeito é que essas "defesas específicas da igualdade" apresentam o mesmo problema existente no "igualitarianismo amplo". De fato, as mesmas observações feitas anteriormente poderiam ser usadas nestes casos específicos: no exemplo dos direitos civis, pode-se conceber uma sociedade onde brancos e negros (ou homens e mulheres) possuem nenhum direito civil garantido por lei, uma situação na qual há igualdade e nem por isso a sociedade por eles composta é boa ou melhor do que uma desigual. E na medida que os casos específicos de defesa da paridade estão sujeitos ao mesmo problema que o "igualitarianismo amplo", defendê-los não salvará o esquerdismo do que foi apontado nesse artigo. 

Segundo, alegar que há um ataque à espantalho ao se "generalizar" a defesa da igualdade não procede porque qualquer defesa da mesma já se enquadrará nas observações feitas nas premissas A1.2 e A2.2, seja numa forma irrestrita ou pontual. Isso ocorre porque os problemas apresentados são manifestos não apenas em termos absolutos (total ou completamente ausente), mas também em termos relativos (mais ou menos). Ou seja, basta a visão defender "mais" igualdade como implicando em estado qualitativamente positivo ou superior que as premissas já se aplicarão. E já que qualquer implementação dessas "paridades pontuais" implicará num mundo mais igualitário[N21], o dito "igualitarianismo pontual" nas teses esquerdistas não livra a ideologia da veracidade das premissas A1.2 e A2.2. 

Igualdade como maximização generalizada de qualidade de vida
Outra resposta possível também alega existir um certo ataque à espantalho quanto ao sentido da defesa da igualdade considerado nas críticas deste artigo. Segundo esta objeção, quando se diz que se deseja paridade, não estaria se dizendo que "no tocante a uma certa propriedade social X, todos os integrantes da sociedade deveriam possuir a mesma quantidade de X", mas "todos deveriam possuir X ao seu máximo possível/disponível". Ou seja, "igualdade" significaria que todos e não apenas alguns deveriam se beneficiar do máximo atualmente disponível de X. 

Essa perspectiva estaria associada a uma visão classicista das sociedades modernas desde a França da monarquia até aos dias de hoje. Segundo essa perspectiva, as sociedades têm sido tradicionalmente compostas de grupos sociais onde alguns destes possuem a seu dispor o melhor de sua época em saúde, segurança, educação, influência política e afins. Do outro lado, outras classes sociais, especialmente a dos pobres, mas também negros e mulheres, não teriam acesso ao mesmo nível de qualidade de vida ou influência política. Nesse contexto de desigualdade, a crítica partiria da parte dos menos favorecidos e de seus aliados ideológicos que não estariam preocupados com a distância entre os menos e os mais favorecidos per se, mas tão somente desejando que todos os cidadãos desfrutassem do bom e do melhor existente em sua época. Ou seja, "queremos igualdade" seria sinônimo de "queremos ter uma boa qualidade de vida assim como vocês". Dessa forma, interpretar a busca pela paridade como uma preocupação entre a distância entre os menos e os mais favorecidos seria um equívoco interpretativo. Como esse é o sentido pressuposto neste artigo, então suas críticas não se aplicariam ao esquerdismo[N22]. 

Há alguns problemas com essa resposta. O primeiro é que, na melhor das hipóteses, essa "interpretação dos anseios esquerdistas" não se aplica ao que muitos dos defensores dessa ideologia realmente defendem. Por exemplo, quando é afirmado que "é um absurdo que uns são tão ricos enquanto outros são tão pobres", o sentido está mais para "não deveria haver pessoas ricas enquanto há pobres no mundo" do que para "era para todos serem ricos como os ricos são". De fato, quando se noticia nas mídias sociais que houve um aumento do número de milionários em um país, é comum haver reações negativas vindas da parte de esquerdistas que não teriam motivo algum para se indignar com isso se não houvesse uma preocupação com a distância entre ricos e pobres (afinal, um aumento do número de ricos significa que muitos estão melhorando sua qualidade de vida). Semelhantemente a clássica crítica de políticos de esquerda reclamando que "os ricos estão ficando mais ricos e os pobres mais pobres"[R25] também só faz sentido sob uma ótica de preocupação com distância entre as partes[N23]. Por fim, algumas das propostas de correção das desigualdades evidenciam o desejo de redução de distância. Este é o caso das taxações sobre fortunas e heranças como proposto por Thomas Piketty[R26][R27] e outros, uma medida que não visa apenas lutar pelos desfavorecidos enquanto os abastados são deixados com seus bens, mas reduzir a distância entre ambos[N24][N25].

Assim, ainda que alguns esquerdistas possam estar defendendo a paridade em acordo com a ótica dessa crítica, essa de forma alguma representa o que todos estão a defender. Por isso, na melhor das hipóteses, poderia se dizer que há alguns que defendem um sentido de igualitarianismo que não está sujeito aos derrotadores desse artigo.

Porém nem mesmo isso é plausível. Afinal, ser defensor da igualdade não é de forma alguma um sinônimo de ser defensor da melhora na qualidade de vida dos desfavorecidos. De fato, esse desejo de que "todos deveriam possuir X ao seu máximo possível/disponível" é compatível com outras ideologias como a liberal. Não à toa, não-esquerdistas também são vistos defendendo a melhora na qualidade de vida de toda a população e muitos praticam a caridade para com os mais pobres, o que evidencia seus desejos que estes também venham a gozar de uma vida de maior bem-aventurança[N26]. Assim, definir a visão esquerdista como a defesa de que todos tenham acesso a uma boa ou máxima qualidade de vida não é descritivo. Antes, é mais plausível concluir que aqueles que se tem intitulado "defensores da igualdade" sem estarem realmente preocupados com distância não estão expressando sua visão direito. Conclui-se que os derrotadores deste artigo adequadamente abordam a defesa da paridade na medida que há, de fato, uma sendo feita ao invés de alguma visão alternativa sendo inadequadamente retratada como "defesa da igualdade". 

Aceitabilidade de argumentos falaciosos 1
O segundo derrotador considera que argumentos logicamente falaciosos não são racionalmente aceitáveis, ou seja, devem ser rejeitados. Em resposta, se poderia alegar que isso não é necessariamente o caso porque seria possível aceitar racionalmente um argumento que possui uma estrutura reconhecida como inadequada ao menos em alguns casos. Portanto, argumentos assim não seriam automaticamente ruins e, então, a mera afirmação da falácia da igualdade pela ideologia esquerdista não a tornaria racionalmente inaceitável.

Como exemplo dessa ideia, tem-se o caso da falácia de composição quando aplicada à cor de um piso. Esta consiste em afirmar que o todo possui uma determinada propriedade porque uma ou mais ou até todas as suas partes possuem essa propriedade. Embora genericamente errado, alguém poderia alegar que há casos específicos em que esse raciocínio se sustenta. Por exemplo, parece plausível supor que se todos os azulejos que compõem um piso são de uma certa cor, então ele será dessa cor. Neste exemplo, embora esse argumento seja um caso da falácia de composição como foi apresentada, ele parece plausível.

Embora essa crítica possa estar alinhada ao entendimento contemporâneo deste assunto[R28][R29], ela pouco faz em prol de salvar o esquerdismo do segundo derrotador por pelo menos duas razões.

Primeiro, ainda que se aceite que uma reconhecida falácia tenha exceções, isso não invalida o fato de que, de forma geral, se um argumento é falacioso, ele deveria ser rejeitado ao menos até que se demonstre que ele se trata de uma exceção. Em outras palavras, na medida em que não há nenhuma demonstração de que a falácia da igualdade expressa pelo esquerdismo é uma exceção, é perfeitamente plausível que se adote a regra até que tal condição de exceção seja demonstrada. Meramente apontar que é "possível" que ela seja uma exceção faz pouco para invalidar o tratamento padrão que se dá a argumentos reconhecidamente falaciosos, que é a rejeição. Assim, até que se demonstre que o caso presente é um desses casos excepcionais, a falácia da igualdade deveria ser tratada como se normalmente trata quaisquer argumentos falaciosos.

Segundo, essa crítica assume o entendimento segundo o qual uma falácia é inicialmente definida em termos amplos para, depois, se observar a existência de exceções. Porém essa tradição é de forma alguma imperativa ou necessária: essas definições poderiam ser revisadas de tal forma a internalizarem os casos de exceção, consequentemente eliminando os mesmos. Então, no caso anterior da composição, a sua definição poderia ser revista para especificar que ela apenas acontece com as propriedades ditas não-expansivas[R30]. Assim, ao invés da forma como foi apresentada, o erro de composição poderia ser expresso como "quando o todo possui uma determinada propriedade não-expansiva porque uma ou mais ou até todas as suas partes possuem essa propriedade". Uma vez que tais redefinições são feitas, as ditas exceções desaparecem e essa resposta torna-se incapaz de salvar o esquerdismo da aplicabilidade do segundo derrotador.

Aceitabilidade de argumentos falaciosos 2
Uma última possível crítica ao segundo derrotador afirma que a falácia da paridade é do tipo que pode ser facilmente eliminada pela consideração de uma premissa implícita, o que se aplicaria também à proposta igualitariana do esquerdismo. Segundo essa observação, a sua forma característica e inválida "é igualitário ou mais igualitário, logo é bom e/ou melhor do que se não fosse" pode ser reescrita como:

FI1: Se é igualitário ou mais igualitário, então é bom e/ou melhor do que se não fosse.
FI2: É igualitário ou mais igualitário.
FIC: Logo, é bom e/ou melhor do que se não fosse.

Neste caso, o raciocínio que antes se apresentava falacioso é convertido num válido modus ponens indicando que este não se trata de um erro formal, tal qual afirmação do consequente ou negação do antecedente (situações nas quais a estrutura é invariavelmente non sequitur), antes sendo uma falácia informal tal qual apelo à natureza ou à Hitler[R31]. A consequência dessa observação seria a de que, em última instância, o segundo derrotador falharia ao apontar para a existência de uma falha lógica onde, no máximo, haveria uma falha de premissa (a implícita). Em outras palavras, se há algum erro no esquerdismo, esse não seria lógico, mas tão somente o de afirmar algo falso, a questão da qual o primeiro derrotador já trata. Assim sendo, essa crítica avalia que o segundo derrotador falha ao tratar um raciocínio inválido por simplificação como se o fosse essencialmente. Indo além, ela ainda poderia acusar que o seu uso acabaria por violar o princípio da caridade segundo o qual um argumento (ou tese) deve ser tratado em sua melhor forma[R32], neste caso essa sendo aquela que possui estrutura lógica válida e considera a sugerida premissa implícita. 

Apesar de poder ser a resposta mais forte à crítica lógica do esquerdismo, essa proposta faz pouco para salvar essa ideologia do derrotador em questão. Isso se deve porque a natureza informal da falácia da igualdade não elimina a sua rejeitabilidade racional, i.e., qualquer raciocínio que o expressar continuará a ser racionalmente inaceitável independente do tratamento que for dado (ou que deveria ser dado) a alguma premissa implícita. De fato, tanto é assim que a resposta tradicional a raciocínios informalmente falazes não envolve a análise factual de premissas implícitas, mas tão somente a sua exposição seguida de rejeição.

Por exemplo, quando alguém expõe um argumento que comete o erro do apelo ao naturalismo, a resposta que se lhe é dada não é a de explicitar a premissa implícita e proceder com um debate sobre sua veracidade que de alguma forma anularia a rejeição àquele argumento em termos lógicos. Antes, o que se faz é apontar que este comete a falácia e se o rejeita. Similarmente quando alguém comete uma falácia genética, a reação não é proceder com um debate sobre a veracidade de alguma premissa implícita após tal ser explicitada, mas simplesmente se aponta que há tal falácia e se procede em rejeitar o argumento apresentado[R33][R34]. Assim, quando um argumento é falacioso, a adequada reação racional a ele é a sua rejeição seja ele formal ou informalmente ruim e, consequentemente, o mesmo deverá ser feito com teses que afirmem raciocínios assim.

Ceticismo diante do histórico de aceitação
Por fim, poder-se-ia questionar como que essa ideologia política poderia ter se sustentado por tanto tempo estando de tal forma errada. Uma hipótese que talvez explique esse fato incômodo é a de que o equivocado igualitarianismo deriva-se de uma análise simplista sobre casos em que parece haver alguma relação entre "igualdade ou mais dela" e "bom ou melhor ou correto". 

Por exemplo, a muitos parece bom que haja alguma medida de igualdade entre homens e mulheres e entre diferentes etnias dentro de uma sociedade. Porém nestes casos o bom ou melhor ou correto não é devido à paridade, mas à uma maior ou até plena quantidade de alguma propriedade boa e doravante desejável como direitos humanos ou riqueza ou saneamento ou afins. Ou seja, é de fato plausível pensar que uma sociedade perfeita incluiria, entre outras coisas, todos terem seus direitos humanos respeitados e todos terem acesso a saneamento básico, o que seria uma situação igualitariana. Todavia, como os exemplos deste artigo sugerem, não é a igualdade em direitos ou saneamento que faria essa sociedade ser excelente - outra sociedade sem nada destes itens seria idêntica em quantidade de paridade e, todavia, péssima -, mas a presença elevada de coisas boas de uma sociedade possuir. Assim, aquele que defende a maximização de propriedades (atributos) desejáveis a uma sociedade ("propriedades fazedoras de grandeza social"[N27]) está a defender uma boa e melhor, porém quem propõe uma sociedade mais igualitária não está a defender uma assim.

Notas
N1: Aqui usei uma visão correspondentista de verdade, porém isso não é necessário à minha tese. Seja qual for a visão epistêmica do leitor, a questão sobre se um pacote de ideias é verdadeiro dadas as suas proposições descritivas permanecerá. Também noto que algumas fontes, ao tratarem da condição de veracidade em argumentos, notam que o que realmente importa é a credibilidade da proposição em relação à audiência, algo por vezes chamado de "plausibilidade". Neste sentido, se diz que para um argumento ser bom, o que se precisa não é que suas premissas sejam (apenas) verdadeiras, mas mais plausíveis que suas negações. Em linha a essa alternativa, se poderia dizer que um pacote de ideias precisa ter "afirmações mais plausíveis que suas negações" para que seja tido como verdadeiro ou correto. Neste artigo, tratei essas abordagens como sinônimos já que tais nuances e o debate em seu entorno não são relevantes para esta obra. Para os interessados, sugiro o vídeo de Kevin deLaplante, "What is a Good Argument?: The Truth Condition", 2013, disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=9mk8RWTsFFw> e acessado em 07 de maio de 2022, bem como a resposta de William Lane Craig em "171 Apologetics Arguments", Reasonable Faith, 2010, disponível em <https://www.reasonablefaith.org/writings/question-answer/apologetics-arguments> e acessado em 08 de maio de 2022.
N2: Por "decentemente" me refiro a uma completa análise da aceitabilidade dessa proposta que inclua coisas como avaliação de prós e de contras.
N3: Naturalmente pode-se dizer que o capitalismo prega e envolve mais do que isso, porém o objetivo aqui não é fazer uma avaliação completa desse sistema econômico. Antes, usá-lo simplificadamente para exemplificar como um pacote de ideias pode compor-se de descrição e/ou prescrição e como que a avaliação da veracidade do pacote se relaciona à avaliação das suas afirmações. Para tal propósito, julgo evidente que esses pontos do capitalismo são mais do que suficientes.
N4: Tanto é assim que muitas das críticas a essa fé incluem a rejeição da existência de Deus. Por exemplo, em: Bill Flavel, "Eight reasons Christianity is false", Atheist Alliance International, 2018, disponível em <https://www.atheistalliance.org/thinking-out-loud/eight-reasons-christianity-is-false/> e acessado em 07 de maio de 2022; e em: English Wikipedia, "Criticism of Christianity", 2022, disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Criticism_of_Christianity> e acessado em 07 de maio de 2022.
N5: Aqueles versados em teologia cristã poderão vir a dizer que não descrevi as referidas doutrinas de forma precisa, como de fato é o caso. Tomei essa liberdade porque uma descrição precisa não é algo relevante aqui e porque poderia tornar o parágrafo desnecessariamente grande demais. Para os que desejarem, uma referência sobre o tema é a obra do teólogo William Lane Craig acessível em seu site (https://www.reasonablefaith.org) onde ele delibera sobre as doutrinas cristãs com um maior nível teológico (como exemplo, sua aula sobre a doutrina da revelação: "Doctrine of Revelation (Part 7): The Authority of Scripture & Defining Inerrancy", Reasonable Faith, 2014,  disponível em <https://www.reasonablefaith.org/podcasts/defenders-podcast-series-3/s3-doctrine-of-revelation/doctrine-of-revelation-part-7> e acessado em 07 de maio de 2022). 
N6: Por "irracional" quero aqui dizer "contrário ao exercício próprio da razão", i.e., quando um indivíduo chega a uma determinada conclusão que toma por crença de uma maneira que não deveria ter sido aceita. Neste sentido, acreditar numa conclusão suportada numa ideia que foi demonstrada falsa ou num argumento logicamente inválido são exemplos de crenças irracionais.
N7: Mais sobre essa reflexão em: Bobby Conway e Lenny Esposito, "797. What's The Only Good Reason To Believe Anything?", One Minute Apologist, 2015, disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=MAeS15NsHgY> e acessado em 07 de maio de 2022.
N8: É notório que boa parte das referências de definição de "ideologia política" apenas afirmam que as mesmas visam "mudar o mundo", não incluindo menção que o é "para melhor" (exemplo: Maurice Cranston, "Ideology", Encyclopaedia Britannica, 2020, disponível em <https://www.britannica.com/topic/ideology-society> e acessado em 17 de março de 2022). Como esse objetivo é atestado por qualquer literatura política proselitista ou conversa com pessoas politicamente ativas, fica evidente que há uma simplificação desnecessária nessas fontes.
N9: Por "termos relativos" me refiro a um estado social comparado a outro onde a proposta em questão (liberdade, igualdade, etc.) é encontrada em menor quantidade.
N10: Ou ainda: o nível de igualdade não é correlacionado ao nível de qualidade.
N11: Para uma apreciação mais completa dessa constatação, sugiro a leitura do meu artigo anterior sobre o assunto ("A falácia da igualdade," Blog Momergil, 2017, disponível em <https://www.momergil.com/2017/10/a-falacia-da-igualdade.html>). Aqui cabe notar que a mesma falha lógica é presente nas suas versões paralelas: assim como é non sequitur afirmar um estado qualitativamente positivo ou superior a partir da igualdade, também o é a partir da desigualdade ("é desigual, logo é bom ou melhor"), o mesmo valendo para o seu oposto ("é desigual, logo é ruim ou pior").
N12: Como esse trecho está a tratar de falhas lógicas, não julguei necessário mencionar todas as possíveis maneiras como um argumento pode falhar em seu propósito, daí o "se" ao invés de "somente se".
N13: Devido a isso, boa parte das obras filosóficas contém análises de argumentos alheios procurando por algum destes problemas e que são usados como motivação para rejeição daqueles quando são encontrados.
N14: Neste argumento, estou simplesmente afirmando que, na mesma medida que não deveríamos aceitar (acreditar) em argumentos logicamente falhos, assim também não deveríamos aceitar algum pacote de ideias que afirma um argumento assim, esse sendo o caso do esquerdismo. Todavia, talvez seja possível derivar uma crítica ainda mais forte com base nessa observação da presença de uma falácia lógica nessa ideologia: a da sua impossível viabilidade e consequente inevitável crença irracional. O que se observaria aqui é que expressões logicamente incoerentes não são apenas inverídicas, como são impossíveis de serem verdadeiras. Por exemplo, a proposição "Michael Jackson nasceu no Brasil" é lógica, metafísica e nomologicamente possivelmente correta, porém factualmente falsa já que é um fato histórico que ele nasceu nos Estados Unidos. Por outro lado, as afirmações "ontem desenhei um círculo-quadrado" e "minha irmã é uma solteira-casada" não são apenas falsas, como impossíveis de serem verdadeiras na medida que expressam conceitos contraditórios ("círculo-quadrado" e "solteira-casada"). Já quando um argumento é logicamente deficiente de tal forma que sua conclusão não segue logicamente das premissas, essa falha lógica difere-se daquela das afirmações mencionadas: não há uma afirmação que é incoerente, mas um raciocínio, um conjunto de afirmações que não são logicamente conectadas entre si. Aqui se poderia propor que a situação muda se um argumento é transformado numa proposição que o afirme, como em "é verdadeiro que "as pessoas deveriam consumir produtos naturais porque eles são bons por serem naturais"". Neste caso, a incoerência lógica seria como que transferida para a proposição tornando-a necessariamente falsa, equivalente aos dois casos anteriores. Expressando isso na semântica dos mundos possíveis: assim como não há mundo possível em que "minha irmã é uma solteira-casada", sendo essa uma colocação incoerente, não há mundo possível em que "é verdadeiro que "as pessoas deveriam consumir produtos naturais porque eles são bons por serem naturais"". Se essa observação estiver correta, então ela implicará num problema para a ideologia esquerdista que afirma a falácia da igualdade como que defendendo que procede, pois neste caso é como se tal ideologia estivesse a afirmar algo análogo a "ontem desenhei um círculo-quadrado", implicando que não há mundo possível em que está correta. Consequentemente, a adoção do esquerdismo poderia ser ainda mais infeliz do que os dois derrotadores apresentados nesse artigo propõem: quando alguém acredita numa tese possível, porém inverídica (tal qual "Michael Jackson nasceu no Brasil"), pode-se entender que tal pessoa está apenas equivocada, talvez mal informada. Por outro lado, acreditar que "minha irmã é uma solteira-casada", uma afirmação logicamente impossível de ser verdadeira, não é algum simples equívoco informacional, mas plenamente irracional, impossível de ser crido racionalmente. Assim, se procede que afirmar em tese um raciocínio logicamente inválido equivale a expressar uma afirmação contraditória tal qual às dos exemplos dados, também sendo consequentemente impossível de tal tese ser verdadeira, crer nela e doravante em pacotes de ideias que as afirmem essencialmente será plenamente irracional, e esse seria o caso para o esquerdismo e sua falácia da igualdade.
N15: Imagino que alguns cristãos poderão não aprovar esse paralelo em função das teses de Alvin Plantinga sobre a crença em Deus como propriamente básica, concluindo que fui infeliz em escolhe-lo. Todavia, noto que o que afirmei diz respeito ao abandono da fé frente a uma "refutação" da existência de Deus e não a uma aparente refutação. Em outras palavras, eu concordo que um crente que possui o testemunho do Espírito Santo testificando da veracidade da sua crença cristã pode continuar crendo racionalmente na sua fé mesmo em face de um argumento ateísta que pareça persuasivo segundo a sua análise. Neste caso, o testemunho lhe garante que esse argumento está de alguma forma errado a despeito das aparências e ele perceberia isso se tão somente tivesse maior capacidade para efetuar sua avaliação. Todavia, se um argumento pela inexistência de Deus fosse feito que não fosse apenas aparentemente persuasivo, mas conclusivo (premissas factuais e estrutura correta), então entendo que um crente deveria abandonar a sua fé rejeitando o que até então ele interpretava ser o testemunho do Espírito Santo. Naturalmente quem entende possuir tal testemunho pode descansar na certeza de que tal argumento jamais será concebido, porém se ele o fosse, a apostasia seria o ato racional a ser exercido.
N16: Ainda que talvez se faça necessário uma revisão das motivações usadas como respaldo para a defesa destas causas. Por exemplo, se até então a luta contra o racismo é justificada sob a ótica igualitariana, agora outra justificativa deveria ser utilizada como, por exemplo, a de que ele se baseia em constatações equivocadas quanto à supostas diferenças qualitativas entre as raças/etnias.
N17: Uma versão mais completa seria:

A1.1: Um pacote de ideias contém afirmações essenciais à sua veracidade/corretude.
A1.2: Um pacote de ideias só será verdadeiro/correto se e somente se todas as suas afirmações essenciais forem verdadeiras/corretas.
A1.3: Consequentemente, se uma afirmação essencial a um pacote de ideias for falsa/incorreta, então esse pacote será falso/incorreto.
A1.4: Uma ideia é a de que "igualdade ou mais dela implica num estado qualitativamente positivo/superior".
A1.5: O esquerdismo é um pacote de ideias que afirma essencialmente 4.
A1.6: 4 é falso.
A1.7: Logo, o esquerdismo é um pacote de ideias falso/incorreto (A1.3 em A1.5 e em A1.6).
A1.8: Não se deve acreditar em/aceitar pacotes de ideias falsos/incorretos.
A1.9: Logo, não se deve acreditar no/aceitar o esquerdismo.

N18: Uma versão mais completa seria:

A2.1: Um pacote de ideias contém ideias (teses) essenciais.
A2.2: Uma ou mais dessas teses pode afirmar um argumento.
A2.3: Se um argumento expresso essencialmente por um pacote de ideias é racionalmente inaceitável (não deveria ser crido ou defendido), então o pacote de ideias que o afirma é racionalmente inaceitável.
A2.4: Um argumento logicamente deficiente é racionalmente inaceitável. 
A2.5: Logo, se um pacote de ideias afirma um argumento logicamente deficiente, esse pacote é racionalmente inaceitável.
A2.6: O esquerdismo é um pacote de ideias que afirma essencialmente que "se o mundo for igual ou mais igual, então o mundo será bom ou melhor".
A2.7: O argumento em A2.6 é logicamente deficiente (falácia da igualdade).
A2.8: Assim, o esquerdismo é um pacote de ideias que afirma essencialmente um argumento logicamente deficiente.
A2.9: Logo, o esquerdismo é um pacote de ideias racionalmente inaceitável (não deveria ser crido ou defendido) (A2.8 em A2.5).

N19: É válido notar que é usual que esquerdistas se chamem "progressistas", algo que se soma como evidência de que a mentalidade da maioria ou totalidade dos mesmos é que suas ideias miram em um mundo melhor. Como leitura complementar, sugiro: W. Wesley McDonald, "Left Wing", Encyclopedia.com, 2018, disponível em <https://www.encyclopedia.com/social-sciences-and-law/political-science-and-government/military-affairs-nonnaval/left-wing> e acessado em 07 de maio de 2022.
N20: Um ataque à espantalho é uma falácia informal que consiste em criticar uma versão imprecisa e geralmente enfraquecida de um argumento, tese, ideia. Para mais sobre, sugiro a vídeo-aula de Kevin deLaplante, "The "Straw Man" fallacy", 2009, disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=v5vzCmURh7o> e acessado em 07 de maio de 2022.
N21: Ao menos se tudo o mais for igual, o que parece ser uma condição sempre pressuposta nas defesas do esquerdismo.
N22: Ou seja, a crítica deste artigo seria um ignoratio elenchi em relação ao "real sentido" da visão esquerdista: seus pontos podem até ser válidos, mas como o esquerdismo não trataria da desigualdade como distância entre partes, então seriam inúteis para refutar essa ideologia.
N23: Caso não houvesse preocupação com a distância, mas tão somente com o mal da pobreza dentro de um desejo pelo enriquecimento dos pobres, bastaria afirmar que "os pobres estão ficando mais pobres". De fato, só faz sentido apontar para o enriquecimento dos ricos ao lado do empobrecimento dos pobres sem preocupação com distância se a menção ao primeiro servisse tão somente para apontar para a existência de uma situação econômica favorável, i.e., para apontar que o empobrecimento dos pobres não seria devido a alguma crise que acabaria por atingir a todos, mas devido a outra causa que os está afetando especificamente. Tendo em vista que tal observação seria, por assim dizer, puramente técnica, o fato que tais manifestações costumam vir associadas a expressões de indignação demonstra que esse não é o caso.
N24: É plausível pensar que se o esquerdismo não estivesse preocupado com a distância entre os que estão melhores e piores numa sociedade, mas tão somente em melhorar a vida destes últimos visando equipará-los àqueles, então seus defensores não enfatizariam medidas que envolvem distância, como a taxação de grandes fortunas, mas aquelas que tem se mostrado efetivas em melhorar a qualidade de vida dos menos favorecidos independente de implicações positivas aos favorecidos. E isso é precisamente o oposto do que acontece. Um exemplo clássico gira em torno do capitalismo: como a ciência aponta, este sistema econômico tem sido muito bom em melhorar a qualidade de vida dos pobres desde o início da sua implementação, porém trouxe consigo o enriquecimento de muitos. Para alguém despreocupado com distância, mas tão somente com a melhora da qualidade de vida dos pobres, o capitalismo seria algo a ser adotado e defendido. Todavia, é justamente a esquerda que mais tem se voltado contra o mesmo.
N25: Para mais um exemplo de manifestação esquerdista que claramente está a preocupar-se com desigualdade em termos de distância, sugiro a leitura da matéria de Edison Veiga, "Desigualdade social, o maior problema do Brasil", DW, 2022, disponível em <https://www.dw.com/pt-br/desigualdade-social-o-maior-problema-do-brasil/a-60315722> e acessado em 07 de maio de 2022.
N26: De fato, equacionar a "busca por igualdade" do esquerdismo com "defesa da melhora da qualidade de vida dos desfavorecidos independente da distância destes para com os mais favorecidos" incorreria em tratar a esquerda como aqueles que possuem o "monopólio do amor aos desfavorecidos". Tal equacionamento só poderia ser correto se outras visões como o liberalismo não tivessem o mesmo intento. Na medida que isso é sabidamente errado (como qualquer conferida nas literaturas não-esquerdistas revela), não procede que há um monopólio do desejo pela melhora na qualidade de vida (desassociado de distância) no esquerdismo. Ou seja, o mesmo não se trata disso, o que refuta a interpretação presente nessa crítica.
N27: Uma referência às propriedades fazedoras de grandeza de um ser como Alvin Plantinga utiliza em seu argumento ontológico para a existência de Deus. A ideia de aplicar tais propriedades ao contexto social ("maximalismo") como uma forma de conceitualizar uma visão cristã de política será apresentada com maiores detalhes num trabalho futuro.

Referências
R1: Rakesh Sharma, "Who Was Adam Smith?", Investopedia, 2022, disponível em <https://www.investopedia.com/updates/adam-smith-economics/> e acessado em 17 de março de 2022.
R2: Johan Norberg, "The Real Adam Smith: Morality and Markets", Free To Choose Network, 2016, disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=V6S6pMsKzlI> e acessado em 18 de março de 2022.
R3: Johan Norberg, "The Real Adam Smith: Ideas That Changed The World", Free To Choose Network, 2016, disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=8ruiUOQERnw> e acessado em 17 de março de 2022.
R4: Mary Fairchild, "Get to Know the Basic Beliefs of Christianity", Learn Religions, 2020, disponível em <https://www.learnreligions.com/basic-christian-beliefs-700357> e acessado em 17 de março de 2022.
R5: English Wikipedia, "Christian theology", disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Christian_theology> e acessado em 17 de março de 2022.
R6: Jason Hiles, "Essential and Nonessential Christian Beliefs", Grand Canyon University, 2016, disponível em <https://www.gcu.edu/blog/theology-ministry/essential-and-nonessential-christian-beliefs> e acessado em 15 de abril de 2022.
R7: Shawn Nelson, "Essentials vs. Non-Essentials - The Need for Charity and Love", Biblical Training Center, 2019, disponível em <https://www.northcoastcalvary.org/wp-content/uploads/2019/06/Class-1-The-Need-for-Charity-and-Love-With-Answers.pdf> e acessado em 15 de abril de 2022.
R8: Com menções a várias referências: Beggar's Bread, "Essential and Non-Essential Doctrines of the Christian Faith", disponível em <https://beggarsbread.org/essential-and-non-essential-doctrines-of-the-christian-faith/> e acessado em 15 de abril de 2022.
R9: William Lane Craig, "Creation and Conservation Once More", Religious Studies, 1998, disponível em <https://www.reasonablefaith.org/writings/scholarly-writings/the-existence-of-god/creation-and-conservation-once-more> e acessado em 15 de abril de 2022.
R10: William Lane Craig e Kevin Harris, "What is Inerrancy?", Reasonable Faith, 2008, disponível em <https://www.reasonablefaith.org/media/reasonable-faith-podcast/what-is-inerrancy> e acessado em 17 de março de 2022.
R11: Encyclopaedia Britannica, "Left", 2020, disponível em <https://www.britannica.com/topic/left> e acessado em 17 de março de 2022.
R12: English Wikipedia, "Left-wing politics", disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Left-wing_politics> e acessado em 17 de março de 2022.
R13: The Free Dictionary by FARLEX, "egalitarianism", disponível em <https://www.thefreedictionary.com/egalitarianism> e acessado em 17 de março de 2022.
R14: Richard Arneson, "Egalitarianism", Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2013, disponível em <https://plato.stanford.edu/entries/egalitarianism/> e acessado em 17 de março de 2022.
R15: Kevin Harrison e Tony Boyd, "The role of ideology in politics and society in understanding political ideas and movements", Manchester Openhive, 2018, disponível em <https://www.manchesteropenhive.com/view/9781526137951/9781526137951.00011.xml> e acessado em 17 de março de 2022.
R16: Alex Tuckness, "Locke’s Political Philosophy", Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2020, disponível em <https://plato.stanford.edu/entries/locke-political/> e acessado em 17 de março de 2022.
R17: Andy Hamilton, "Conservatism", Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2019, disponível em <https://plato.stanford.edu/entries/conservatism/> e acessado em 17 de março de 2022.
R18: Martin G. B. Bittencourt, "A falácia da igualdade", Blog Momergil, 2017, disponível em <https://www.momergil.com/2017/10/a-falacia-da-igualdade.html> e acessado em 18 de março de 2022.
R19: Gary N. Curtis, "Appeal to Nature", Fallacy Files, disponível em <http://www.fallacyfiles.org/adnature.html> e acessado em 05 de maio de 2022.
R20: Baseado em distintos materiais que tratam das características de um bom argumento (validitysoundness, etc.). Exemplos são as vídeo-aulas do Kevin deLaplante sobre raciocínio crítico, sites especializados no assunto como Fallacy Files e artigos de William L. Craig como:  "In Defense of the Kalam Cosmological Argument", Faith and Philosophy, 1997, disponível em <https://www.reasonablefaith.org/writings/scholarly-writings/the-existence-of-god/in-defense-of-the-kalam-cosmological-argument> e acessado em 08 de maio de 2022.
R21: William Lane Craig e Joe, "415 Plantinga’s Evolutionary Argument against Naturalism", Reasonable Faith, 2015, disponível em <https://www.reasonablefaith.org/writings/question-answer/plantingas-evolutionary-argument-against-naturalism> e acessado em 08 de maio de 2022.
R22: Fabio Ostermann, "O problema é a pobreza, não a desigualdade", Instituto Liberal, 2014, disponível em <https://www.institutoliberal.org.br/blog/o-problema-e-a-pobreza-nao-a-desigualdade/> e acessado em 19 de março de 2022.
R23: Free to Choose Network, "Milton Friedman - Equality or Liberty?", 2013, disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=zJV3ionPkhQ> e acessado em 19 de março de 2022.
R24: Kevin deLaplante, "Modus Ponens", 2013, disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=67x8NWKDctg> e acessado em 15 de março de 2022.
R25: Exemplo: Bernie Sanders, "Twitter post 1489735015378399232", 2022, disponível em <https://twitter.com/BernieSanders/status/1489735015378399232> e acessado em 15 de março de 2022.
R26: Bloomberg Markets and Finance, "Thomas Piketty on Inequality, Trump, Wealth Redistribution", 2020, disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=9lySKu9MiOg> e acessado em 15 de abril de 2022.
R27: English Wikipedia, "Capital in the Twenty-First Century: Contents", disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Capital_in_the_Twenty-First_Century#Contents> e acessado em 17/03/2022. 
R28: Kevin deLaplante, "The Ad Hominem Fallacy", 2011, disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=7GzXVqwYHVE> e acessado em 04 de maio de 2022.
R29: Bo Bennett, "Fallacy of Composition", Logically Fallacious, disponível em <https://www.logicallyfallacious.com/logicalfallacies/Fallacy-of-Composition> e acessado em 04 de maio de 2022.
R30: Gary N. Curtis, "Composition", Fallacy Files, disponível em <https://www.fallacyfiles.org/composit.html> e acessado em 04 de maio de 2022.
R31: Gary N. Curtis, "The Hitler Card", Fallacy Files, disponível em <https://www.fallacyfiles.org/adnazium.html> e acessado em 07 de maio de 2022.
R32: Jonathan Maloney, "Principle of Charity", Intelligent Speculation, 2019, disponível em <https://www.intelligentspeculation.com/blog/the-principle-of-charity> e acessado em 04 de maio de 2022.
R33: William Lane Craig et. al., "704 The Bitter Fruit of a Bad Education", Reasonable Faith, 2020, disponível em <https://www.reasonablefaith.org/writings/question-answer/the-bitter-fruit-of-a-bad-education> e acessado em 04 de maio de 2022.
R34: William Lane Craig e Godfrey, "42 God and Neuro-Science", Reasonable Faith, 2008, disponível em <https://www.reasonablefaith.org/writings/question-answer/god-and-neuro-science> e acessado em 04 de maio de 2022.

Para acessar o backup de todas as ligações externas, clique aqui.

Two defeaters against leftist ideology


At the end of October 2017, I published an article in which I suggested recognizing a new fallacy which I named the "fallacy of equality". At the end of that work, I commented on the possible impacts of the recognition of my proposal, especially in the field of political philosophy in one of its most prominent currents, the left.

In the present article, I focus on these implications by proposing two arguments against egalitarian ideology based on the logical fallacy proposed in my earlier work. 


Momergil

--------

Introduction
One of the fruits of the human intellect has been the conception of "packages of ideas": sets of one or more allegedly true propositions that are somehow linked together. Philosophical schools, scientific theories, and the theological part of religions are examples of some categories or types of packages like this. 

Insofar as such groups of ideas make descriptive and/or prescriptive claims about the world, a question of debate that usually accompanies them is whether a certain group is "true" or "correct". In this case, regarding descriptive propositions, one can generically understand that a package can only be true or correct if and only if such propositions correspond to reality as it is[N1]. As for prescriptive statements, those that say how things should be (objectives) or what should be done (methods), it will generally be necessary that their eventual descriptive assumptions are equivalently corresponding to reality, and that they are decently able to reach some presented target, and that such a target is desirable[N2]. Otherwise, if one of your proposals advocates unacceptable measures or an unacceptable target, the package will also be wrong.

Thus, for example, the capitalist economic system led by the Scotsman Adam Smith opposed the mercantilism present in his time in at least three things: descriptively, that the wealth of a nation is not the result of or equal to the physical possessions of land, gold and that it has, but also resides in the productive capacity of its citizens; and, prescriptively, that we should seek to implement means of increasing this productive capacity, such as labor specialization, in order to make societies more prosperous and rich, which would be a desirable target[N3][R1][R2][R3]. Therefore, the assessment of the veracity of capitalism passes through the evaluation of these statements: if it is true that the wealth of a nation involves the productive capacity of its citizens, that we should seek a more prosperous society, and that a means to this end is to increase productivity through means such as labor specialization, then capitalism is the correct view. If, on the other hand, wealth is measured only in lands, or we should not seek greater prosperity for peoples, or the proposed means, such as specialization of manpower, are inadequate and henceforth should not be adopted, the view will be given as failure.

When it comes to this question of verifying the veracity of a package, one could understand that the refutation of any of its claims would automatically imply its defeat. This, however, is not necessarily the case since ideologies may contain assertions that differ from each other in terms of their relevance to them. Some less relevant proposals may be linked to strands of a main idea or derivations from more important theses supported by less credible arguments. Regardless of the reason, this implies the need to distinguish between "essential" and "non-essential" statements to a thesis. Those recognized as essential are those that are somehow linked to the package that, without even one of them, it would disfigure and effectively become something else, another group of ideas. Consequently, the untruth of one of these statements implies the invalidity of the package as a whole, even if others are recognized as correct. The same does not happen with the secondary proposals: although they may be traditional, they are superfluous in such a way that their demonstrated invalidity will not imply the annulment of the package as a whole.

An example of this complexity can be seen in the theology of religions such as Christianity. In this case, Christian theology is composed of a series of doctrines that encompass a set of beliefs on various topics such as God, the human being, and sin[R4][R5]. Although most Christians believe in some variations of these doctrines, only some are essential to the faith[R6][R7][R8] and cannot be wrong for it to be a true religion. One case is the doctrine of God which asserts that there is such a supreme being as the source of the universe's existence[R9]. If by chance someone were to demonstrate that such a being does not exist, then Christianity would be wrong in one of its essential statements and, consequently, would be a wrong package of ideas and a false religion[N4]. Even if many of Jesus' teachings remained valid, the faith as such would come to an end; "there is no Christianity without God". The same would not occur with the doctrine of biblical inerrancy that affirms the full veracity of the teachings of the sacred book of this religion[N5]. If even a single error were found in such a book, the doctrine would be refuted, but hardly a Christian would think it plausible to abandon his faith on that account precisely because it is a relative theological detail. That is, although traditionally believed, the doctrine of biblical inerrancy is not essential to Christianity[R10].

Thus, if it is identified that an ideology has a non-essential claim, refuting it will not imply the defeat of the package. If, however, one essential to it is found to be unacceptable, belief in it must be suspended. Indeed, it can be argued that it is enough to demonstrate that an essential assertion is not adequately supported (that there is no known reason to believe it to be true or even that it is not possible to know if it is true) that any adoption of the ideology will become irrational[N6]. In other words, if an individual does not know of any plausible reason to believe in a single proposal essential to an ideology, then he should not believe and defend such a package.

All that said, the relevance of these deliberations and the related debates could be questioned. This is linked to the importance given to the truth of statements. One perspective suggests that, far from trivial, such issues are important to the world because beliefs affect the actions of those who believe in them, bringing with them real consequences for many[N7]. In particular, wrong ideas, once believed, can lead individuals to wrong choices which, in turn, can lead to inappropriate actions that can bring great harm, pain, and suffering. In fact, some of the evils that have plagued humanity have been derived from misguided beliefs, a classic example being the Nazi Holocaust. Thus, to the extent that it is relevant for us to avoid these evils, it will be relevant to try to attest to the veracity of an ideology before embracing it. If this has already happened, then it will be plausible to abandon it as soon as it is invalidated upon further reflection.

With that in mind, what follows is an assessment of the veracity of a particular package of ideas: leftist political philosophy.

The egalitarianism
In the area of ​​political philosophy, a commonly termed "left" view preaches egalitarianism[R11][R12]: the defense of equality or more of it in some aspect in the political, social, and/or economic environment[R13][R14]. Formalized in the times of the Enlightenment, it can be affirmed in various ways such as resources, and well-being among others. Regardless of which one is defended, its justification is supported by two possible views: as a means and as an end in itself[R14]. Parity as a means is characterized by the thesis that having it or having more of it may not be good and desirable in itself, however, it is useful insofar as it manages to lead to profitable and desirable ends, that is, it would be something that has extrinsic value. This perspective proposes that we should implement equality or more of it as a tool to achieve a better world. The other view, on the other hand, defends the existence of an intrinsic value to it, that is, that it is in itself a good, a value, which henceforth is self-justified. So, insofar as we make the world an egalitarian or more egalitarian place, it will become better for that alone.

So understood, the egalitarian proposal of leftism is marked by a direction towards a positive, higher level, towards a better end. This characteristic is not gratuitous or unique, nor is it merely traditional, since it is intrinsic to any political vision composed of a prescriptive component; every political ideology proposes what it proposes aiming at a better world (even if only in the eyes of those who defend it) [R15][N8]. 

For example, liberalism proposes "freedom, life and property"[R16] because, in the understanding of those who defend it, if such values are present and defended in a society, a better one will be obtained for all to live. So too, conservatism defends traditions[R17] because they would be good for society. This remains present even in evidently bad cases: someone who hates all humanity could propose a nihilistic ideology that preaches the end of the human species to be achieved by the practice of genocide. As bad as such a vision is, it is still intrinsic to it the notion that its implementation would bring a better world from the perspective of its defender. 

Therefore, regardless of what is defended, the prescriptive content of every political vision is aimed at a qualitatively positive social state, whether in relative, absolute, or both terms[N9]. Thus, leftist political ideology states, essential to this vision, that one must defend, seek, implement equality or more of it in some way that, in doing so, will bring with it a good or better world. 

A wrong ideology
In view of what was said earlier about refuting packages of ideas, it follows that if this is not true (that equality or more of it implies a qualitatively positive and/or superior state), then an essential component of leftism will be wrong and henceforth this political view will be incorrect. In other words, leftism will only be correct if and only if equality or more of it implies a qualitatively positive or superior state.

Here this ideology faces difficulty since such a claim is demonstrably false. In fact, several cases where equality or more of it does not imply something positive or better can be observed.

For example, suppose there is a hypothetical society of 100 people and that there are certain basic human rights that should be recognized and respected. At first, the local justice system is characterized in such a way that only half of these people have their rights respected while the others are systematically violated. Suppose, then, that reforms are made and now all members have their rights violated. In this second situation, there is an egalitarian society where everyone has a parity of rights. However, insofar as having human rights respected is something desirable, this new egalitarian situation is not only bad, it is worse than the original unequal situation; society has worsened with the rise of equality.

Another example: suppose that another hypothetical society with 100 members has problems with access to basic sanitation, which is available to only 30% of the population. In this case, there is inequality in access to this desirable structure. Then a war breaks out and the entire sanitation system is destroyed by bombing. The result is that now all citizens do not have a functioning sewage system or potable water in their homes. Unlike the initial pre-war state, this second one is egalitarian and yet it is both certainly bad and evidently worse than the previous one since it has even less sanitation than it had before. 

Hypothetical cases like the ones above reveal that it is false to say that equality or more of it implies good or better when they expose that it is also present in bad or worse situations. In other words, equality is not correlated with quality[N10]. This can be visualized as shown in Figure 1 below. The graph on the left shows the egalitarian thesis: the higher the value, the higher the quality. The graph on the right, on the other hand, expresses what examples such as the previous ones demonstrate to be the case: that this link does not occur to the extent that increasing parity can equivalently lead to both higher and lower quality.

Figure 1 - Comparison between the egalitarian proposal and reality

In view of what was discussed in the introduction to this article, the fact that equality or more of it does not imply good or better implies the untruth of an essential thesis of the left and, henceforth, its failure as a political proposal. 

An illogical ideology
Despite what has already been said to be a problem enough for the acceptability of the left as a correct political view, it can be argued that its failure goes further. This is because the thesis analyzed above and essential to this view not only expresses a mistaken statement (such as "1 + 1 = 3" or "the Earth is flat") but is also a case of the egalitarian fallacy, an error of reasoning[R18][N11]. And this observation grounds a second motivation for rejecting leftism.

An argument used as rational support for belief in some proposition will be bad, unable to fulfill its purpose, if it is structurally deficient in having premises incapable of logically supporting the conclusion[N12]. When this is the case, it is understood that it should not be believed or defended, i.e., it is rationally unacceptable[R20][N13]. 

So for example, one reason why the syllogism "all men are mortal, Jesus is man, and therefore Jesus is mortal" is acceptable is that its structure is logically coherent. By contrast, the argument "all men are mortal, Jesus is a man, and therefore Jesus never existed" is not rationally believable because its structure is logically flawed.

Although arguments are often presented in isolation or alongside others in a cumulative case in defense of a belief, they can come to be expressed as a supposedly correct thesis in a larger work. In cases where that thesis is essential to that work, then its rational acceptability will be linked to that of the argument: insofar as affirming the work will imply affirming the argument contained in it, that is, there is no way to affirm the work without affirming the argument, then if the latter is rationally unacceptable, so too will the work that affirms it.

For example, suppose a natural products company wants to persuade potential customers to consume them. She then launches a commercial stating that they should buy them "because they are natural and therefore good". The problem is that such an argument is asserting the fallacy of appeal to nature[R19], making the advertising rationally bad by structural error. In this case, what is being proposed is just one among other possible justifications in favor of the intended conclusion (that customers should buy the products of this company) and, therefore, even if this specific motivation should be rejected, its inadequacy doesn't invalidate the advocated conclusion; it may be good to consume these products for other reasons. Something different happens when this company opts for another marketing strategy involving the creation of a new ideology that preaches that "people should be good to each other, love their families, and consume natural products because they are good for being natural". In this case, it is not just one argument among others where its invalidity does not affect the veracity of the intended conclusion, but a thesis essential to this hypothetical ideology and which affirms a logically deficient reasoning. Consequently, to the extent that there is no way to disassociate this package of ideas from this fallacy, then it will be rationally unacceptable because of it and whoever rejects that one must also reject this ideology that affirms it. 

Thus, a package of ideas can be rationally believable if and only if its ideas are logically coherent. However, this is not the case with leftism, which asserts a logical fallacy at its core, that of equality. Consequently, this ideology does not appear to be rationally acceptable and should be rejected in the same way that fallacious arguments should be. This conclusion implies that, unlike what seems to be the case with many ideologies, leftism goes beyond simple factual error (that of expressing statements that are inconsistent with reality): it is also logically deficient[N14].

Conclusion
In this article, the leftist political vision was recognized as an ideology that defends, in an essential character to it, that an egalitarian or more egalitarian world would be a better world than an unequal one and that, therefore, we should seek greater parity on our planet. It was also argued that such a claim is not only demonstrably false, it is also a logical fallacy, which produces two defeaters for that view[R21]. Insofar as these observations are true, it can be concluded that egalitarianism that aims at a better world is an inadequate vision, and believing in the political ideology that expresses it is a belief contrary to the proper exercise of reason: whoever does so will be intellectually erring as much as anyone else who believes in any theses that are factually wrong or logically flawed - with the aggravation that, in this case, he will be wrong in both ways. 

If such considerations are correct, the proper public reaction to such deliberations will be the same as that which is due to any package of ideas shown to be inadequate: its abandonment. Just as a Christian should abandon his faith once exposed to a refutation of the non-existence of God[N15], so liberals should abandon their political stance in the face of the observations of this article. That said, just as a Christian would not automatically need to reject all of Jesus' teachings upon seeing his faith invalidated by atheism, the abandonment of egalitarianism does not automatically justify rejecting all other causes that leftists have championed[N16] (fighting against racism, for the preservation of the environment, etc.).

Comments
Criticizing leftism through its egalitarian thinking is nothing new, having been the subject of several works in recent centuries. However, apparently most of these responses have focused on questions of value either saying that equality is irrelevant (as when some claim that "economic inequality doesn't matter, only poverty"[R22]) or that it is less important than other things (such as freedom[R23]). The two defeaters presented in this article, on the other hand, support another perspective according to which the errors of the ideology are that of being factually wrong and of being logically deficient.

As with packages of ideas, the theses proposed here can also be incorrect. This brings up the question of how this criticism could be defeated. It is usually understood that an argument can be defeated by pointing out some flaw in its structure, invalidating the acceptance of one or more of its premises, or giving a stronger counterpoint to the opposite conclusion in the case of probabilistic theses[R20]. With that in mind, the following section contains some predictable critiques preceded by an analysis of where they stand in relation to the arguments presented.

Analysis of possible criticisms
The first argument aims to demonstrate that the leftist view is mistaken for essentially asserting an untrue claim and can be summarized as follows[N17]:

A1.1: If leftism essentially asserts an incorrect/false idea, then leftism is false/incorrect.
A1.2: Leftism essentially asserts an incorrect/false idea (that equality or more of it implies a qualitatively positive or superior state).
A1.3: Therefore, leftism is false/incorrect.

As for its structure, the above reasoning is a case of the classic modus ponens and, therefore, it is logically valid and its conclusion will necessarily be true if the premises are true[R24]. Therefore, possible errors can only be found in the acceptability of these. In the case of premise A1.1, what it says is a thesis presupposed in many of the works that evaluate and criticize the most varied theories, philosophical currents, and related doctrines being, therefore, relatively uncontroversial. So it is likely that most criticism will end up being centered on the second premise.

The second argument argues that this ideology is rationally unacceptable as it essentially expresses a logical error of reasoning and can be summarized as follows[N18]:

A2.1: If leftism essentially asserts invalid reasoning, then it is rationally unacceptable.
A2.2: Leftism essentially asserts invalid reasoning (a logical fallacy, that of equality).
A2.3: Therefore, leftism is rationally unacceptable.

Again, the structure of the defeater is a modus ponens and hence logically valid. Also, its first premise A2.1 appears to be relatively uncontroversial being defended whenever a thesis that essentially asserts something that is known to be false is rejected. So, as in the case of the first defeater, possible criticisms will tend to focus on the second premise.

Anticipated criticisms

Absence of essentialism
A possible criticism of both second premises is the rejection of the essential character of the statement of the fallacy of equality. From this perspective, the justification of a positive target for the defense of parity would only be a traditional characteristic and not an essential one for the left. In other words, while most leftists defend equality because they think it will lead to a better world, the view per se does not assert this justification. Consequently, those who raise this objection reject the observation that political ideologies are essentially geared towards the pursuit of a better world.

In response, such a proposal does not seem to have any support in evidence. After all, countless political expressions demonstrate that every leftist, rightist, liberal, or the like defends what he defends aiming at a better world according to his perspective of "better". To the extent that this is true, it seems implausible to say that it is still a mere tradition and not a basic feature of political ideologies. 

However, even if such an answer were true, it would be of little use in refuting the practical applicability of the defeaters presented in this article. This is because the characterization of the statement of the fallacy of equality as intrinsic to leftist ideology is not necessary for the applicability of this criticism in the population that expresses it: insofar as a defender of this view asserts in his intellect that he wants and the reason he wants equality or more of it is because then there will be a good or better world, then both of the defeaters presented here will apply to him in his leftism. Since the only leftists said to be untouchable by this work would be those who defend parity for any other motivation and that such do not exist or are practically non-existent, then the defeaters would still prove valid "for all practical purposes": most, if not the totality of leftists in the world should still cease to be so[N19].

Punctual equality
Another possible objection argues that the assertion of the presence of the fallacy of equality does not constitute a correct description of the egalitarian proposal and, therefore, both defeaters make a straw man attack[N20]. According to this answer, claiming that "leftism defends parity" would be a general simplification that does not consider the details of this ideology and its strands.

The answer says that the various leftist currents do not simply defend a more egalitarian world, but specify in which areas and in which ways this parity should be characterized and implemented. That is, they are not advocating any and all forms of equality or it by itself. Consequently, a leftist may find himself agreeing that not all equality implies a better world while believing that the specific ones he proposes would bring about that result. 

For example, a leftist could argue that we should have equal civil rights between men and women and between whites and blacks because the world will be better if that is so. At the same time, that same person could reject such parity of rights between children and adults, recognizing that, in this case, it is better to have some inequality in the laws applicable to the two groups. In doing so, this individual would be advocating a certain specific equality (of rights) for one or more specific cases (sex/gender and ethnicity/race) without automatically committing to any other form of parity (such as economic) or in any situation (age). 

Concerning this criticism, its first defect is that these "specific defenses of equality" present the same problem as in "broad egalitarianism." Indeed, the same observations made earlier could be used in these specific cases: in the example of civil rights, one can conceive of a society where whites and blacks (or men and women) have no civil rights guaranteed by law, a situation in which there is equality and the society they comprise is not good or better than an unequal one. And insofar as the specific cases of defending parity are subject to the same problem as "broad egalitarianism", defending them will not save leftism from what has been pointed out in this article. 

Second, to claim that there is a straw man attack by "generalizing" the equality defense is unfounded because any defense of equality will already fall within the observations made in premises A1.2 and A2.2, either in an unrestricted or punctual way. This is because the problems presented are manifest not only in absolute terms (totally or completely absent) but also in relative terms (more or less). That is, it suffices for the view to defend "more" equality as implying a qualitatively positive or superior state that the premises will already apply. And since any implementation of these "punctual parities" will imply a more egalitarian world[N21], the so-called "punctual egalitarianism" in the leftist theses does not rid the ideology of the veracity of premises A1.2 and A2.2. 

Equality as generalized maximization of quality of life
Another possible answer also alleges that there is a certain straw man attack regarding the sense of defending equality considered in the criticisms of this article. According to this objection, when one says that parity is desired, one is not saying that "with regard to a certain social property X, all members of society should possess the same amount of X", but "everyone should possess X to the maximum extent possible/available". That is, "equality" would mean that everyone and not just a few should benefit from the maximum currently available of X. 

This perspective would be associated with a classicist vision of modern societies from the France of the monarchy to the present day. According to this perspective, societies have traditionally been composed of social groups where some of these would have at their disposal the best of their time in terms of health, security, education, political influence, and the like. On the other hand, other social classes, especially the poor, but also blacks and women, would not have access to the same level of quality of life or political influence. In this context of inequality, criticism would come from the less favored and their ideological allies who would not be concerned with the distance between the least and the most favored per se, but only wishing that all citizens enjoyed the good and the best that exist at the time. In other words, "we want equality" would be synonymous with "we want to have a good quality of life just like you". Thus, interpreting the search for parity as a concern between the distance between the least and the most favored would be an interpretative mistake. As this is the assumed meaning of this article, then his criticisms would not apply to leftism[N22]. 

There are some problems with this answer. The first is that, at best, this "interpretation of leftist yearnings" does not apply to what many of the defenders of this ideology actually stand for. For example, when it is stated that "it is absurd that some are so rich while others are so poor", the meaning is more like "there shouldn't be rich people while there are poor people in the world" than "it was for everyone to be rich like the rich are". In fact, when it is reported on social media that there has been an increase in the number of millionaires in a country, it is common to have negative reactions from leftists who would have no reason to be indignant about this if there was not a concern about the distance between rich and poor (after all, an increase in the number of rich means that many are improving their quality of life). Similarly, the classic critique of left-wing politicians complaining that "the rich are getting richer and the poor are getting poorer"[R25] also only makes sense from a perspective of concern about distance between the parties[N23]. Finally, some of the proposals to correct inequalities show the desire to reduce distance. This is the case of taxation on fortunes and inheritances as proposed by Thomas Piketty[R26][R27] and others, a measure that is not only aimed at fighting for the disadvantaged while the wealthy are left with their possessions but reducing the distance between them[N24][N25].

So while some leftists may be advocating parity in line with this critique's lens, it by no means represents what everyone is advocating. Hence, at best, it could be said that some advocate a sense of egalitarianism that is not subject to the defeaters of this article.

But even that is not plausible. After all, being an advocate of equality is by no means synonymous with being an advocate of improving the quality of life of the underprivileged. In fact, this desire that "everyone should own X to the maximum extent possible/available" is compatible with other ideologies such as libertarianism. Not for nothing, non-leftists are also seen defending the improvement in the quality of life of the entire population and many practice charity towards the poorest, which shows their wishes that they also come to enjoy a life of greater well-being[N26]. Thus, defining the leftist view as the defense that everyone has access to a good or maximum quality of life is not descriptive. Rather, it is more plausible to conclude that those who have called themselves "equality advocates" without really being concerned with distance are not expressing their views properly. It follows that the defeaters of this article adequately address the defense of parity insofar as there is, in fact, one being made rather than some alternative view being inadequately portrayed as a "defense of equality". 

Acceptability of fallacious arguments 1
The second defeater considers that logically fallacious arguments are not rationally acceptable, that is, they should be rejected. In response, it could be argued that this is not necessarily the case because it would be possible to rationally accept an argument that has a structure recognized as inadequate in at least some cases. So arguments like this would not automatically be bad, and so the mere assertion of the fallacy of equality by leftist ideology would not make it rationally unacceptable.

As an example of this idea, there is the case of the fallacy of composition when applied to the color of a floor. This consists in affirming that the whole has a certain property because one or more or even all of its parts have this property. Although generally wrong, one could argue that there are specific cases in which this reasoning holds up. For example, it seems plausible to assume that if all the tiles that make up a floor are of a certain color, then it will be of that color. In this example, although this argument is a case of the fallacy of composition as presented, it seems plausible.

While this critique may be in line with contemporary understanding of this issue[R28][R29], it does little to save leftism from the second defeater for at least two reasons.

First, even if it is accepted that a recognized fallacy has exceptions, this does not invalidate the fact that, in general, if an argument is fallacious, it should be rejected at least until it is shown to be an exception. In other words, insofar as there is no demonstration that the fallacy of equality expressed by leftism is an exception, it is perfectly plausible to adopt the rule until such an exception condition is demonstrated. Merely pointing out that it is "possible" for it to be an exception does little to invalidate the standard treatment given to admittedly fallacious arguments, which is rejection. Thus, until the present case is shown to be one of these exceptional cases, the fallacy of equality should be treated as one would normally treat any fallacious arguments.

Second, this critique assumes the understanding according to which a fallacy is initially defined in broad terms and then the existence of exceptions is observed. But this tradition is by no means imperative or necessary: these definitions could be revised in such a way as to internalize the exception cases, thereby eliminating them. So, in the previous case of composition, its definition could be revised to specify that it only happens with the so-called non-expansive properties[R30]. Thus, instead of the way it was presented, the composition error could be expressed as "when the whole has a certain non-expansive property because one or more or even all of its parts have that property". Once such redefinitions are made, the so-called exceptions disappear and this response becomes incapable of saving leftism from the applicability of the second defeater.

Acceptability of fallacious arguments 2
A final possible criticism of the second defeater is that the parity fallacy is of the kind that can be easily eliminated by considering an implicit premise, which would also apply to the egalitarian proposal of leftism. According to this observation, its characteristic and invalid form "is egalitarian or more egalitarian, therefore it is good and/or better than if it were not" can be rewritten as:

FI1: If it is egalitarian or more egalitarian, then it is good and/or better than if it were not.
FI2: It is egalitarian or more egalitarian.
FIC: Therefore, it's good and/or better than if it weren't.

In this case, the reasoning that was previously fallacious is converted into a valid modus ponens, indicating that this is not a formal error, such as an affirming the consequent or denial of the antecedent (situations in which the structure is invariably non sequitur), but rather being an informal fallacy such as an appeal to nature or Hitler[R31]. The consequence of this observation would be that, ultimately, the second defeater would fail to point to the existence of a logical flaw where, at most, there would be a flaw of premise (the implicit one). In other words, if there is any error in leftism, it would not be logical, but only to assert something false, the issue that the first defeater already deals with. Therefore, this criticism assesses that the second defeater fails to treat invalid reasoning by simplification as if it were essentially invalid. Going further, it could even accuse that its use would end up violating the principle of charity according to which an argument (or thesis) must be treated in its best form[R32], in this case, that being one that has a valid logical structure and considers the suggested implicit premise. 

While it may be the strongest response to the logical critique of leftism, this proposal does little to save that ideology from the defeater in question. This is because the informal nature of the equality fallacy does not eliminate its rational rejectability, i.e., any reasoning that expresses it will continue to be rationally unacceptable regardless of the treatment given (or that should be given) to some implicit premise. So much so that the traditional response to informally fallacious reasoning does not involve factual analysis of implicit premises, but only their exposition followed by rejection.

For example, when someone presents an argument that makes the mistake of appealing to naturalism, the response given is not to make the implicit premise explicit and to proceed with a debate about its veracity that would somehow nullify the rejection of that argument in logical terms. Rather, what is done is to point out that it commits the fallacy and reject it. Similarly, when someone commits a genetic fallacy, the reaction is not to proceed with a debate about the veracity of some implicit premise after it has been made explicit, but simply to point out that there is such a fallacy and proceed to reject the presented argument[R33][R34]. Thus, when an argument is fallacious, the proper rational reaction to it is its rejection whether formally or informally bad, and, consequently, the same should be done with theses that affirm reasonings like this.

Skepticism in the face of historic of acceptance
Finally, one could question how this political ideology could have sustained itself for so long, being so wrong. One hypothesis that perhaps explains this uncomfortable fact is that misguided egalitarianism derives from a simplistic analysis of cases in which there seems to be some relationship between "equality or more of it" and "good or better or correct". 

For example, it seems good to many that there should be some measure of equality between men and women and between different ethnicities within a society. But in these cases, the good or better or correct is not due to parity, but to a greater or even full amount of some good and henceforth desirable property such as human rights or wealth or sanitation or the like. That is, it is indeed plausible to think that a perfect society would include, among other things, everyone having their human rights respected and everyone having access to basic sanitation, which would be an egalitarian situation. However, as the examples in this article suggest, it is not equality in rights or sanitation that would make this society excellent - another society without any of these items would be identical in terms of parity and yet very bad - but the high presence of good things of a society to have. Thus, whoever defends the maximization of desirable properties (attributes) of a society ("social great making properties"[N27]) is defending a good and better one, but whoever proposes a more egalitarian society is not defending one like this.

Notes
N1: Here I used a correspondence view of truth, but this is not necessary for my thesis. Whatever the reader's epistemic view, the question of whether a package of ideas is true given its descriptive propositions will remain. It is noted that some sources, when dealing with the condition of veracity in arguments, note that what really matters is the credibility of the proposition in relation to the audience, something sometimes called "plausibility". In this sense, it is said that for an argument to be good, what is needed is not that its premises be (only) true, but more plausible than its negations. In line with this alternative, it could be said that a package of ideas needs to have "statements more plausible than its denials" in order to be considered true or correct. In this article, I have treated these approaches as synonyms since such nuances and the debate around them are not relevant to this work. For those interested, I suggest Kevin deLaplante's video, "What is a Good Argument?: The Truth Condition", 2013, available at  <https://www.youtube.com/watch?v=9mk8RWTsFFw> and accessed on 07 May 2022, as well as William Lane Craig's answer in "171 Apologetics Arguments", Reasonable Faith, 2010, available at <https://www.reasonablefaith.org/writings/question-answer/apologetics-arguments> and accessed on 08 May 2022.
N2: By "decently" I mean a thorough analysis of the acceptability of this proposal that includes things like weighing the pros and cons.
N3: Of course, it can be said that capitalism preaches and involves more than that, but the aim here is not to make a complete assessment of this economic system. Rather, use it in a simplified way to exemplify how a package of ideas can consist of a description and/or prescription and how the evaluation of the package's veracity is related to the evaluation of its claims. For this purpose, I think it is evident that these points of capitalism are more than enough.
N4: So much so that many of the criticisms of this faith include the rejection of the existence of God. For example in: Bill Flavel, "Eight reasons Christianity is false", Atheist Alliance International, 2018, available at <https://www.atheistalliance.org/thinking-out-loud/eight-reasons-christianity-is-false/> and accessed on 07 May 2022; e em: English Wikipedia, "Criticism of Christianity", 2022, available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Criticism_of_Christianity> and accessed on 07 May 2022.
N5: Those versed in Christian theology may say that I have not described these doctrines accurately, as is indeed the case. I took this liberty because a precise description is not relevant here and because it could make the paragraph unnecessarily long. For those who wish, a reference on the subject is the work of theologian William Lane Craig accessible on his website (https://www.reasonablefaith.org) where he deliberates on Christian doctrines with a higher theological level (as an example, his class on the doctrine of revelation:  "Doctrine of Revelation (Part 7): The Authority of Scripture & Defining Inerrancy", Reasonable Faith, 2014,  available at <https://www.reasonablefaith.org/podcasts/defenders-podcast-series-3/s3-doctrine-of-revelation/doctrine-of-revelation-part-7> and accessed on 07 May 2022). 
N6: By "irrational" I mean "contrary to the proper exercise of reason", i.e., when an individual comes to a certain conclusion that he takes for belief in a way that should not have been accepted. In this sense, believing a conclusion supported by an idea that has been shown to be false or a logically invalid argument are examples of irrational beliefs.
N7: More on this reflection at: Bobby Conway and Lenny Esposito, "797. What's The Only Good Reason To Believe Anything?", One Minute Apologist, 2015, available at <https://www.youtube.com/watch?v=MAeS15NsHgY> and accessed on 07 May 2022.
N8: It is notorious that most of the references to the definition of "political ideology" only state that they aim to "change the world", without mentioning that it is "for the better" (example: Maurice Cranston, "Ideology", Encyclopaedia Britannica, 2020, available at <https://www.britannica.com/topic/ideology-society> and accessed on 17 May 2022). As this aim is attested to by any proselytizing political literature or conversation with politically active people, it is evident that there is an unnecessary simplification in these sources.
N9: By "relative terms" I mean a social state compared to another where the proposal in question (liberty, equality, etc.) is found in less quantity.
N10: Or even: the level of equality is not correlated with the level of quality.
N11: For a more complete appreciation of this observation, I suggest reading my previous article on the subject ("The fallacy of equality," Blog Momergil, 2017, available at <https://www.momergil.com/2017/10/the-fallacy-of-equality.html>). Here it is worth noting that the same logical flaw is present in their parallel versions: just as it is non sequitur to affirm a qualitatively positive or superior state based on equality, it is also so based on inequality ("it is unequal, therefore it is good or better" ), the same is true for its opposite ("it is unequal, therefore it is bad or worse").
N12: As this passage is dealing with logical failures, I didn't think it necessary to mention all the possible ways an argument can fail in its purpose, hence the "if" instead of "only if".
N13: Because of this, a good part of the philosophical works contain analyzes of other people's arguments looking for some of these problems and that are used as a motivation for rejecting those when they are found.
N14: In this argument, I am simply stating that just as we should not accept (believe in) logically flawed arguments, so we should not accept some package of ideas that asserts such an argument, this being the case with leftism. However, it is perhaps possible to derive an even stronger criticism based on this observation of the presence of a logical fallacy in this ideology: that of its impossible viability and consequent inevitable irrational belief. What would be observed here is that logically incoherent expressions are not only untrue but also impossible to be true. For example, the proposition "Michael Jackson was born in Brazil" is logically, metaphysically, and nomologically possibly correct, but factually false since it is a historical fact that he was born in the United States. On the other hand, the statements "yesterday I drew a circle-square" and "my sister is a married-bachelor" are not only false but impossible to be true as they express contradictory concepts ("circle-square" and "married-bachelor"). On the other hand, when an argument is logically deficient in such a way that its conclusion does not logically follow from the premises, this logical flaw differs from that of the aforementioned statements: there is not an incoherent statement, but a reasoning, a set of statements that are not logically connected to each other. Here it could be proposed that the situation changes if an argument is transformed into a proposition that affirms it, as in "it is true that "people should consume natural products because they are good because they are natural"". In this case, the logical inconsistency would be transferred to the proposition, making it necessarily false, equivalent to the two previous cases. Expressing this in the semantics of possible worlds: just as there is no possible world in which "my sister is a married-bachelor", this being an incoherent statement, there is no possible world in which "it is true that "people should consume natural products because they are good for being natural"". If this observation is correct, then it will pose a problem for the leftist ideology that asserts the fallacy of equality as if defending that it does, for, in this case, it is as if such ideology were asserting something analogous to "yesterday I drew a circle-square", implying that there is no possible world in which it is correct. Consequently, the adoption of leftism could be even more unfortunate than the two defeaters presented in this article propose: when someone believes in a possible but untrue thesis (such as "Michael Jackson was born in Brazil"), it can be understood that he is just misguided or perhaps misinformed. On the other hand, to believe that "my sister is a married-bachelor", a logically impossible statement to be true, is not some simple informational misconception, but entirely irrational, impossible to be rationally believed. Thus, if it follows that affirming in thesis a logically invalid reasoning is equivalent to expressing a contradictory affirmation such as those of the given examples, also being consequently impossible for such a thesis to be true, believing in it and henceforth in packages of ideas that essentially affirm them will be completely irrational, and that would be the case for leftism and its equality fallacy.
N15: I imagine that some Christians may not approve of this parallel due to Alvin Plantinga's theses about belief in God as properly basic, concluding that I was unfortunate in choosing it. However, I note that what I said concerns the abandonment of faith in the face of a "refutation" of the existence of God and not an apparent refutation. In other words, I agree that a believer who has the witness of the Holy Spirit testifying to the veracity of his Christian belief can continue to rationally believe his faith even in the face of an atheist argument that seems persuasive to his analysis. In this case, the testimony assures him that this argument is somehow wrong despite appearances, and he would realize this if he had only been better able to carry out his assessment. However, if an argument for the non-existence of God were to be made that was not only apparently persuasive but conclusive (factual premises and correct structure), then I understand that a believer should abandon his faith by rejecting what he has hitherto interpreted to be the witness of the Holy Spirit. Naturally, those who believe they have such testimony can rest in the certainty that such an argument will never be conceived, but if it were, apostasy would be the rational act to be exercised.
N16: Although it may be necessary to review the motivations used as support for the defense of these causes. For example, if until then the fight against racism was justified from an egalitarian point of view, now another justification should be used, such as, for example, that it is based on erroneous findings regarding the supposed qualitative differences between races/ethnicities.
N17: A more complete version would be:

A1.1: A package of ideas contains statements essential to its truth/correctness.
A1.2: A package of ideas will only be true/correct if and only if all of its essential statements are true/correct.
A1.3: Consequently, if a statement essential to a package of ideas is false/incorrect, then that package is false/incorrect.
A1.4: One idea is that "equality or more implies a qualitatively positive/higher state".
A1.5: Leftism is a package of ideas that essentially affirms 4.
A1.6: 4 is false.
A1.7: So leftism is a false/incorrect package of ideas (A1.3 in A1.5 and in A1.6).
A1.8: False/incorrect idea packages should not be believed/accepted.
A1.9: Therefore, one should not believe in/accept leftism.

N18: A more complete version would be:

A2.1: A package of ideas contains essential ideas (theses).
A2.2: One or more of these theses can assert an argument.
A2.3: If an argument expressed essentially by a package of ideas is rationally unacceptable (it should not be believed or defended), then the package of ideas that affirms it is rationally unacceptable.
A2.4: A logically deficient argument is rationally unacceptable.
A2.5: Therefore, if a package of ideas asserts a logically deficient argument, that package is rationally unacceptable.
A2.6: Leftism is a package of ideas that essentially asserts that "if the world were equal or more equal, then the world would be good or better".
A2.7: The argument in A2.6 is logically deficient (fallacy of equality).
A2.8: So leftism is a package of ideas that essentially asserts a logically deficient argument.
A2.9: So leftism is a rationally unacceptable package of ideas (should not be believed or defended) (A2.8 in A2.5).

N19: It is worth noting that it is usual for leftists to call themselves "progressives", something that adds up as evidence that the mentality of most or all of them is that their ideas aim at a better world. For further reading, I suggest: W. Wesley McDonald, "Left Wing", Encyclopedia.com, 2018, available at <https://www.encyclopedia.com/social-sciences-and-law/political-science-and-government/military-affairs-nonnaval/left-wing> and accessed on 07 May 2022.
N20: A "straw man" attack is an informal fallacy that consists of criticizing an inaccurate and generally watered-down version of an argument, thesis, or idea. For more information, I suggest Kevin deLaplante's video lesson, "The "Straw Man" fallacy", 2009, available at <https://www.youtube.com/watch?v=v5vzCmURh7o> and accessed on 07 May 2022.
N21: At least if all else is equal, which seems to be a condition always assumed in leftist defenses.
N22: In other words, the criticism of this article would be an ignoratio elenchi in relation to the "real meaning" of the leftist vision: its points may even be valid, but since leftism would not treat inequality as distance between parties, then they would be useless to refute this ideology.
N23: If there was no concern with distance, but only with the evil of poverty within a desire for the enrichment of the poor, it would suffice to say that "the poor are getting poorer". In fact, it only makes sense to point to the enrichment of the rich alongside the impoverishment of the poor without concern for distance if the mention of the former served only to point to the existence of a favorable economic situation, i.e., to point out that the impoverishment of the poor it would not be due to some crisis that would eventually hit everyone, but due to another cause that is specifically affecting them. Considering that such an observation would be, so to speak, purely technical, the fact that such manifestations are usually associated with expressions of indignation demonstrates that this is not the case.
N24: It is plausible to think that if leftism were not concerned with the distance between the best and worst in a society, but only with improving the lives of the latter in order to make them equal to the former, then its advocates would not emphasize measures that involve distance, such as taxation of large fortunes, but those that have been shown to be effective in improving the quality of life of the less favored, regardless of positive implications for the favored. And this is precisely the opposite of what happens. A classic example revolves around capitalism: as science points out, this economic system has been very good at improving the quality of life of the poor since the beginning of its implementation, but it has brought with it the enrichment of many. For someone unconcerned with distance, but only with improving the quality of life for the poor, capitalism would be something to be adopted and defended. However, it is precisely the left that has turned against it the most.
N25: For another example of a leftist demonstration that is clearly concerned with inequality in terms of distance, I suggest reading Edison Veiga's article, "Desigualdade social, o maior problema do Brasil", DW, 2022, available at <https://www.dw.com/pt-br/desigualdade-social-o-maior-problema-do-brasil/a-60315722> and accessed on 07 May 2022.
N26: In fact, equating leftism's "search for equality" with "the defense of improving the quality of life of the disadvantaged, regardless of their distance from the more favored" would incur in treating the left as those who possess the "monopoly of love for the disadvantaged" . Such an equation could only be correct if other visions such as liberalism did not have the same intention. Insofar as this is known to be wrong (as any check in non-leftist literature reveals), it does not follow that there is a monopoly on the desire for an improvement in the quality of life (disassociated from distance) in leftism. That is, the same is not about this, which refutes the interpretation present in this criticism.
N27: A reference to the great-making properties of a being as Alvin Plantinga uses in his ontological argument for the existence of God. The idea of applying such properties to the social context ("maximalism") as a way of conceptualizing a Christian view of politics will be presented in greater detail in future work.

References
R1: Rakesh Sharma, "Who Was Adam Smith?", Investopedia, 2022, available at <https://www.investopedia.com/updates/adam-smith-economics/> and accessed on 17 March 2022.
R2: Johan Norberg, "The Real Adam Smith: Morality and Markets", Free To Choose Network, 2016, available at <https://www.youtube.com/watch?v=V6S6pMsKzlI> and accessed on 18 March 2022.
R3: Johan Norberg, "The Real Adam Smith: Ideas That Changed The World", Free To Choose Network, 2016, available at <https://www.youtube.com/watch?v=8ruiUOQERnw> and accessed on 17 March 2022.
R4: Mary Fairchild, "Get to Know the Basic Beliefs of Christianity", Learn Religions, 2020, available at <https://www.learnreligions.com/basic-christian-beliefs-700357> and accessed on 17 March 2022.
R5: English Wikipedia, "Christian theology", available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Christian_theology> and accessed on 17 March 2022.
R6: Jason Hiles, "Essential and Nonessential Christian Beliefs", Grand Canyon University, 2016, available at <https://www.gcu.edu/blog/theology-ministry/essential-and-nonessential-christian-beliefs> and accessed on 15 April 2022.
R7: Shawn Nelson, "Essentials vs. Non-Essentials - The Need for Charity and Love", Biblical Training Center, 2019, available at <https://www.northcoastcalvary.org/wp-content/uploads/2019/06/Class-1-The-Need-for-Charity-and-Love-With-Answers.pdf> and accessed on 15 April 2022.
R8: With mentions of several references: Beggar's Bread, "Essential and Non-Essential Doctrines of the Christian Faith", available at <https://beggarsbread.org/essential-and-non-essential-doctrines-of-the-christian-faith/> and accessed on 15 April 2022.
R9: William Lane Craig, "Creation and Conservation Once More", Religious Studies, 1998, available at <https://www.reasonablefaith.org/writings/scholarly-writings/the-existence-of-god/creation-and-conservation-once-more> and accessed on 15 April 2022.
R10: William Lane Craig and Kevin Harris, "What is Inerrancy?", Reasonable Faith, 2008, available at <https://www.reasonablefaith.org/media/reasonable-faith-podcast/what-is-inerrancy> and accessed on 17 March 2022.
R11: Encyclopaedia Britannica, "Left", 2020, available at <https://www.britannica.com/topic/left> and accessed on 17 March 2022.
R12: English Wikipedia, "Left-wing politics", available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Left-wing_politics> and accessed on 17 March 2022.
R13: The Free Dictionary by FARLEX, "egalitarianism", available at <https://www.thefreedictionary.com/egalitarianism> and accessed on 17 March 2022.
R14: Richard Arneson, "Egalitarianism", Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2013, available at <https://plato.stanford.edu/entries/egalitarianism/> and accessed on 17 March 2022.
R15: Kevin Harrison and Tony Boyd, "The role of ideology in politics and society in understanding political ideas and movements", Manchester Openhive, 2018, available at <https://www.manchesteropenhive.com/view/9781526137951/9781526137951.00011.xml> and accessed on 17 March 2022.
R16: Alex Tuckness, "Locke’s Political Philosophy", Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2020, available at <https://plato.stanford.edu/entries/locke-political/> and accessed on 17 March 2022.
R17: Andy Hamilton, "Conservatism", Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2019, available at <https://plato.stanford.edu/entries/conservatism/> and accessed on 17 March 2022.
R18: Martin G. B. Bittencourt, "The fallacy of equality", Blog Momergil, 2017, available at <https://www.momergil.com/2017/10/the-fallacy-of-equality.html> and accessed on 18 March 2022.
R19: Gary N. Curtis, "Appeal to Nature", Fallacy Files, available at <http://www.fallacyfiles.org/adnature.html> and accessed on 05 May 2022.
R20: Based on different materials that deal with the characteristics of a good argument (validity, soundness, etc.). Examples are the video classes by Kevin deLaplante on critical thinking, specialized sites like Fallacy Files, and articles by William L. Craig such as:  "In Defense of the Kalam Cosmological Argument", Faith and Philosophy, 1997, available at <https://www.reasonablefaith.org/writings/scholarly-writings/the-existence-of-god/in-defense-of-the-kalam-cosmological-argument> and accessed on 08 May 2022.
R21: William Lane Craig and Joe, "415 Plantinga’s Evolutionary Argument against Naturalism", Reasonable Faith, 2015, available at <https://www.reasonablefaith.org/writings/question-answer/plantingas-evolutionary-argument-against-naturalism> and accessed on 08 May 2022.
R22: Fabio Ostermann, "O problema é a pobreza, não a desigualdade", Instituto Liberal, 2014, available at <https://www.institutoliberal.org.br/blog/o-problema-e-a-pobreza-nao-a-desigualdade/> and accessed on 19 March 2022.
R23: Free to Choose Network, "Milton Friedman - Equality or Liberty?", 2013, available at <https://www.youtube.com/watch?v=zJV3ionPkhQ> and accessed on 19 March 2022.
R24: Kevin deLaplante, "Modus Ponens", 2013, available at <https://www.youtube.com/watch?v=67x8NWKDctg> and accessed on 15 March 2022.
R25: Example: Bernie Sanders, "Twitter post 1489735015378399232", 2022, available at <https://twitter.com/BernieSanders/status/1489735015378399232> and accessed on 15 March 2022.
R26: Bloomberg Markets and Finance, "Thomas Piketty on Inequality, Trump, Wealth Redistribution", 2020, available at <https://www.youtube.com/watch?v=9lySKu9MiOg> and accessed on 15 April 2022.
R27: English Wikipedia, "Capital in the Twenty-First Century: Contents", available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Capital_in_the_Twenty-First_Century#Contents> and accessed on 17/03/2022. 
R28: Kevin deLaplante, "The Ad Hominem Fallacy", 2011, available at <https://www.youtube.com/watch?v=7GzXVqwYHVE> and accessed on 04 May 2022.
R29: Bo Bennett, "Fallacy of Composition", Logically Fallacious, available at <https://www.logicallyfallacious.com/logicalfallacies/Fallacy-of-Composition> and accessed on 04 May 2022.
R30: Gary N. Curtis, "Composition", Fallacy Files, available at <https://www.fallacyfiles.org/composit.html> and accessed on 04 May 2022.
R31: Gary N. Curtis, "The Hitler Card", Fallacy Files, available at <https://www.fallacyfiles.org/adnazium.html> and accessed on 07 May 2022.
R32: Jonathan Maloney, "Principle of Charity", Intelligent Speculation, 2019, available at <https://www.intelligentspeculation.com/blog/the-principle-of-charity> and accessed on 04 May 2022.
R33: William Lane Craig et. al., "704 The Bitter Fruit of a Bad Education", Reasonable Faith, 2020, available at <https://www.reasonablefaith.org/writings/question-answer/the-bitter-fruit-of-a-bad-education> and accessed on 04 May 2022.
R34: William Lane Craig and Godfrey, "42 God and Neuro-Science", Reasonable Faith, 2008, available at <https://www.reasonablefaith.org/writings/question-answer/god-and-neuro-science> and accessed on 04 May 2022.

To access the backup of all external links, click here.